Cuidados Paliativos: Paciente, Familiares e Equipe de Saúde

Cuidados Paliativos: Paciente, Familiares e Equipe de Saúde

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Resumo: Cuidados Paliativos é um assunto bastante falado nas mídias e também muito pesquisado, porém ainda há aquela certa resistência ao chegar perto de fato dos Cuidados Paliativos, Muitos profissionais possuem dificuldade em manter contato direto com o cuidado paliativo por estar ligado à morte, e para muitos, a morte está ligada à angústia. Mas este não é o verdadeiro significado dos Cuidados Paliativos, e sim promover melhor qualidade de vida ao paciente, mesmo estando perto de falecer.

Neste artigo, irei ressaltar a importância deste cuidado com o paciente, com a família e com a equipe de saúde; mostrando desde quando surgiu até o momento; quando se devem utilizar os cuidados paliativos; e como funciona.

Palavras-Chave: Cuidados Paliativos; morte; promoção de vida; dignidade; equipe multidisciplinar

História dos Cuidados Paliativos

Há literaturas que indicam o início dos Cuidados Paliativos na época do mundo bizantino, no qual foi construído no mundo bizantino, sob o reinado de Constantino, por influência de sua mãe, Santa Helena.

Literaturas também revelam que na Idade Média, durante as Cruzadas, era comum achar hospedarias (hospices), em monastérios, que abrigavam não somente os doentes e moribundos, mas também os famintos, mulheres em trabalho de parto, pobres, órfãos e leprosos. Por meio desta forma de hospitalidade, possuía caráter de acolhimento, proteção, alívio do sofrimento, mais do que a busca pela cura, sendo características dos cuidados paliativos de fato. No século XVII, o padre francês, São Vicente de Paula fundou a Ordem das Irmãs de Caridade em paris, que também tinha o mesmo propósito.

*Moribundos: “que está a morrer” (toda vez que eu usar essa palavra, refere-se ao que chamavam na época.)

Cuidados Paliativos na Modernidade

Teve início com Cicely Saunders (1918 –  2005), iniciou seus estudos superiores de filosofia, economia e política em Oxford. Em 1939, com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, ela deixou a universidade e ingressou na St. Thomas’ Hospital Nightingale School of Nursing, em Londres, para estudar enfermagem até se formar. Por conta de problemas de coluna, seus professores a aconselharam a trabalhar com serviço social, o que manteria ligada aos enfermos.

Em 1947, conheceu um judeu polonês, David Tasma, que estava morrendo por conta do Câncer, no qual estava sem família e com poucos recursos. Acabaram ficando juntos e compartilharam o sonho de cuidar com dignidade de pacientes moribundos. O sonho de ambos era criar um local onde enfermos pudessem estar como em sua casa, acompanhados pela família e cuidados por pessoas de múltiplas profissões, com atenção à dor e aos demais sintomas da fase final da vida. Tasma acabara falecendo em 1948, no qual a motivou seguir em frente com seu trabalho, e em 1970 conheceu a psiquiatra americana Elisabeth Kübler-Ross, e juntas deram o início do movimento hospice moderno nos Estados Unidos.

Até hoje, famílias e pacientes ouvem de médicos e profissionais de saúde a frase “não há mais nada a fazer”.  A Cicely Saunders sempre dizia: “ainda há muito a fazer”. 

Primeira definição de Cuidados Paliativos

Em 1982 o Comitê de Câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu, para todos os países, políticas relativas ao alívio da dor e aos cuidados do tipo hospice para doentes com câncer. Adotou, também, o termo cuidados paliativos, a ser usado em todo o mundo. (Foley, 2005)

A primeira definição de cuidados paliativos feita pela OMS em 1986, sendo revisada em 2002. É uma versão internacionalmente aceita na atualidade.

Início dos Cuidados Paliativos no Brasil

No Brasil, há registros de iniciativas isoladas e discussões a respeito dos Cuidados Paliativos desde os anos 70. Contudo, foi nos anos 90 que começaram a surgir os primeiros serviços organizados, (ainda de forma experimental).

O pioneiro no Brasil (Prof. Marco Túlio de Assis Figueiredo), que abriu os primeiros cursos e atendimentos com filosofia paliativista na Escola Paulista de Medicina – UNIFESP/EPM. Outro serviço importante e pioneiro no Brasil é o do Instituto Nacional do Câncer – INCA, do Ministério da Saúde, que inaugurou em 1998 o hospital Unidade IV, exclusivamente dedicado aos Cuidados Paliativos. Focando os atendimentos a pacientes fora da possibilidade de cura acontecem desde 1986.

Em dezembro de 2002, o Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo – HSPE/SP inaugurou sua enfermaria de Cuidados Paliativos, comandada pela Dra. Maria Goretti Sales Maciel. O programa, no entanto, existe desde 2000. Em São Paulo, outro serviço pioneiro é do Hospital do Servidor Público Municipal, comandado pela Dra. Dalva Yukie Matsumoto, que foi inaugurado em junho de 2004, com início do projeto em 2001.           

Surge então, em 1997,  a primeira tentativa de congregação dos paliativistas, com a fundação da Associação Brasileira de Cuidados Paliativos – ABCP pela psicóloga Ana Geórgia Cavalcante de Melo, e em 2005, os Cuidados Paliativos no Brasil ressaltaram uma evidência institucional enorme.

Com a ANCP, avançou a regularização profissional do paliativista brasileiro, portanto foi estabelecido os chamados critérios de qualidade para os serviços de Cuidados Paliativos, realizou-se definições precisas do que é e o que não é Cuidados Paliativos e levou-se a discussão para o Ministério da Saúde, Ministério da Educação, Conselho Federal de Medicina – CFM e Associação Médica Brasileira – AMB. Participando ativamente da Câmera Técnica sobre Terminalidade da Vida e Cuidados Paliativos do CFM, a ANCP ajudou a elaborar duas resoluções importantes que regulam a atividade médica relacionada a esta prática.   

Em 2009, pela primeira vez na história da medicina no Brasil, o Conselho Federal de Medicina incluiu, em seu novo Código de ética Médica, os Cuidados Paliativos como princípio fundamental. A ANCP luta pela regularização da Medicina Paliativa como área de atuação médica junto à Associação Médica Brasileira e a universalização dos serviços de Cuidados Paliativos no Ministério da Saúde.

O que são Cuidados Paliativos?

actual-medicina.blogspot
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Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em conceito definido em 1990 e atualizado em 2002, “Cuidados Paliativos consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais”.

Sendo então, os cuidados paliativos devem conter investigações necessárias para o melhor entendimento e manejo de complicações e sintomas estressantes tanto relacionados ao tratamento quanto à evolução da doença, por isso a importância de toda a equipe de saúde, abordando desde a dor física, sintomas orgânicos, como estressores e cargas emocionais tanto do paciente quando do familiar, os médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, (etc) devem estar sempre trabalhando em equipe para o bem estar de todos envolvidos.

Princípios dos Cuidados Paliativos

Neste tópico irei ressaltar os princípios dos cuidados paliativos, segundo a OMS.

  • Visam atingir e manter um nível ótimo de controle da dor e de outros sintomas desconfortáveis
  • Afirmam a vida e encerram o morrer como um processo natural e cíclico
  • Não apressam nem adiam a morte, mas também não a prolongam,
  • Integram os diversos aspectos (físicos, sociais, psicológicos e espirituais) da pessoa.
  • Oferecem um sistema de apoio para ajudar os pacientes a viver tão ativamente quanto possível, até o momento de sua morte. Para isso, podem necessitar do trabalho conjunto de uma equipe multiprofissional, incluindo além da equipe de saúde, mas também assistentes espirituais, voluntários leigos, e outros.
  • Ajudam a família a lidar com a doença do paciente e com o luto.
  • Exigem uma abordagem multiprofissional, com equipes e que ninguém é superior a ninguém em poder ou importância.
  • Buscam aprimorar a qualidade de vida até o momento ultimo da morte
  • São aplicáveis desde o estágio inicial da doença crônica, concominantemente com as terapias curativas adequadas (OMS, 2004)

Como se praticam os Cuidados Paliativos?

noticiasdoacre
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Existem várias formas de prática dos cuidados paliativos, e a escolha de uma ou mais dessas formas geralmente depende das características de cada comunidade, dos recursos materiais e de pessoal disponíveis, etc. Dentre elas são:

  • No domicílio (assistência domiciliaria);
  • No hospital (em ambulatórios e/ou enfermarias, com leitos próprios ou sob forma de consultoria a outras clínicas);
  • Nas “hospedarias”

Considerações Finais:

Os cuidados paliativos estão presentes desde o império bizantino, isso nos leva a pensar, que mesmo naquela época de guerras; de doenças venéreas; falta de recursos, já consideravam a importância da humanização na saúde. Que de fato, é de suma importância desde sempre.

Cuidados paliativos é um método humanizado que ao meu ver, é muito eficaz para os pacientes e familiares, no qual o paciente deixa de fato “ser paciente” e torna-se “ser humano”, olhado como pessoa, e não portador de determinada doença terminal.

Com essa importância, por meio deste texto, desejo incentivar vocês leitores ao uso dessa importante ferramenta na vida dos pacientes e familiares, é preciso aprimorar e/ou criar novos métodos para cada vez aumentar a eficácia na humanização dos envolvidos, novas pesquisas, novas práticas, ou até mesmo a relevância da importância dos cuidados paliativos nos hospitais, sendo que ainda há muita defasagem em algumas instituições ou regiões do Brasil que ainda não possuem esse método de humanização.

Para referir este artigo: Santos, F. F. (2015). Cuidados Paliativos: Paciente, Familiares e Equipe de Saúde. In. Mundo da Psicologia, Internet. Disponível em <http://mundodapsi.com/cuidados-paliativos-paciente-familiares-e-equipe-de-saúde/> 2015.

Referências

Academia Nacional de Cuidados Paliativos (2009). O que são Cuidados Paliativos?. In. Academia Nacional de Cuidados Paliativos, Internet. <http://www.paliativo.org.br/ancp.php?p=oqueecuidados> Acessado em 01 de dezembro de 2015

Instituto Nacional de Câncer (INCA). Cuidados Paliativos. http://www1.inca.gov.br/conteudo_view.asp?ID=474 Recuperado em 01 de dezembro de 2015

Figueiredo, M. G. M. C. A. (2008). Cuidados Paliativos. In Carvalho, V. A. et al. (org) Temas em psico-oncologia. (p. 382-387). São Paulo: Summus

World Health Organization. (2002) National Cancer Control Programmes: Policies and Managerial Guidelines. 2.ed. Geneva: WHO

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