Contribuições da Terapia Cognitivo Comportamental na Esquizofrenia

Contribuições da Terapia Cognitivo Comportamental na Esquizofrenia

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De acordo com Beck, J (2013) a terapia cognitiva comportamental se constitui de um tratamento que está baseado na hipótese de vulnerabilidade cognitiva como um modelo de transtorno emocional. O terapeuta auxilia o paciente na produção de mudança em termos cognitivos e comportamentais e modificação das crenças. No entanto, acessar crenças, pensamentos disfuncionais, e posteriormente racionalizá-las conforme as técnicas previamente estabelecidas no processo terapêutico não é tarefa fácil, visto a singularidade de cada sujeito.

Na maioria dos casos de esquizofrenia, a terapia cognitiva comportamental é a mais utilizada, uma vez que é uma abordagem de bom senso, e se baseia em dois princípios centrais, sendo a influência da cognição nas emoções e comportamentos, e o modo como se age ou como o comportamento é afetado pelos padrões de pensamentos e emoções (Wright, Basco & Thase, 2008).

 Ao abordar o tema esquizofrenia, bem como o funcionamento em termos cognitivos e comportamentais, APA (2015) destaca um transtorno psicótico, caracterizado por distúrbios do pensamento (cognição) responsividade e comportamento. Já de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM- V (2013) a esquizofrenia (F20.9) compreende uma gama de sintomas, nos quais estes necessitam de um período significativo de tempo, mais especificamente com duração de um mês, e os sintomas presentes são delírios, alucinações, discurso, comportamentos grosseiramente desorganizado ou catatônico e sintomas negativos.

A esquizofrenia se constitui por dois sintomas preponderantes, os positivos e os negativos. Conforme Caballo (2007) os positivos referem-se as questões cognitivas, e as experiências sensoriais ou comportamentais, que por sua vez estão ausentes nas pessoas sem o transtorno. Já os sintomas negativos, se caracterizam pela ausência das emoções e comportamentos. Todavia ainda com respeito aos sintomas da esquizofrenia, segundo Caballo (2007) os sintomas positivos se pautam especificamente nas alucinações (ouvir vozes) delírios (acreditar que pessoas estão o perseguindo) e comportamentos estranhos ou desorganizados, em contrapartida os sintomas negativos estão associados ao embotamento afetivo, a expressividade, pobreza de discurso, diminuição na comunicação verbal apatia e anedonia (Incapacidade de experimentar prazer). No que tange a depressão e as ideias suicidas, que por sua vez estão associados à esquizofrenia, aproximadamente 10% dos indivíduos com esse transtorno morrem por suicídio.

Fonte: O Psicólogo Online

No tocante ao processo terapêutico, mais especificamente a relação de vínculo entre terapeuta e paciente, utiliza-se o empirismo colaborativo, que consiste no exercício mútuo de coparticipação para melhor aquisição terapêutica. No decorrer deste processo a vinculação é primordial para um desempenho eficaz, para adquirir amplitude nas habilidades sociais, e assim atenuar as angústias em possíveis ambientes com alta concentração de pessoas em circulação.

Em detrimento ao funcionamento social do paciente com esquizofrenia, o termo “Funcionamento Social” refere-se aos domínios de comportamentos que envolvem relações interpessoais. As limitações interacionais nos pacientes com esquizofrenia são efetivas, suas habilidades sociais se restringem, uma vez que a percepção e crenças que tem sobre os eventos e ambientes inseridos. (Pinkham et al. 2013, p. 109) 

Destacam-se entre os principais prejuízos da esquizofrenia a comunicação verbal e não verbal, no sentido do reconhecimento de expressões faciais e da fala. Entretanto, os estudos são apontados os déficits na cognição social entre os pacientes, uma vez que se considera a patologia com níveis de inabilidade social, não conseguindo perceber as intenções, eventos e interações sociais. O conceito de cognição entre os indivíduos com esquizofrenia, estão relacionadas às disfunções cognitivas básicas com alterações em seu desempenho, tais como: memória, percepção e atenção que repercutem no funcionamento desta. Ainda sobre a cognição social destacam-se com veemência os déficits no processamento e percepção das emoções, nas resoluções dos conflitos e aptidões sociais. (Serra et al., 2010, p. 1045)

Pacientes com esquizofrenia restringem-se suas interações sociais, neste caso é interessante a utilização do Treino em Habilidades Sociais através de exposições graduais, ensaios comportamentais e assertividade, dentre outros que se agrega ao repertório psicoterapêutico.  Conforme Caballo (2006) a THS tem formato de identificar as dificuldades dos pacientes, para que assim o auxilie na execução de comportamentos mais adaptados. Segundo o autor o treino se constitui de forma básica, e são adequados para problemas conjugais, ansiedade, depressão e esquizofrenia, que por sua vez são questões que comumente se empregam a THS.

Por fim, a escassez de matérias teóricos que abordam a dinâmica da esquizofrenia e seu funcionamento são extremamente significativos, visto que a carência deste induz a escrever e pesquisar com mais incisão sobre esta temática, uma vez que se faz necessária a melhor compreensão não somente dos novos terapeutas e estudantes, mas também dos profissionais e pesquisadores da área.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM V. Porto Alegre: Artes Médicas, 2014.

BECK, S. J; Terapia Cognitivo Comportamental.  2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.

CABALLO, V. E; Manual de Avaliação e Treinamento das Habilidades Sociais. São Paulo: Santos Editora, 2008.

CABALLO, V. E; Manual para Tratamento Cognitivo-Comportamental dos Transtornos Psicológicos. São Paulo: Santos Editora, 2011.

LIBERMAN,J; SCOTT,S & PERKINS,O; Fundamentos da Esquizofrenia. Porto Alegre: Artmed, 2013.

WHRIGHT, JH. et al. Terapia Cognitivo-Comportamental para Doenças Graves Mentais. Porto Alegre: Artmed, 2010.

WRIGHT,JH; BASCO, M.R. & THASE, M.E. Aprendendo a Terapia Cognitivo- Comportamental. 2ª Ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.

SERRA, M. A; Estudo da Terapia Cognitiva: Um Novo Conceito em Psicoterapia, Disponível em<http://www.itcbr.com/hotsite/pdf/terapiacognitiva_mod7.pdf>Acesso em: 15 de Maio de 2016.

SERRA, V. A. et al; Cognição, Cognição Social e Funcionalidade na Esquizofrenia, 2010. Disponível em <https://repositorioaberto.up.pt/bitstream/10216/65189/2/92149.pdf>Acesso em: 16 de Maio de 2016.

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Psicólogo clínico, graduado pela Universidade Cruzeiro do Sul, atuante na abordagem Cognitivo Comportamental, sendo esta minha paixão. Mantendo uma página no facebook intitulada @EryelPsi, sendo esta destinada a compartilhar conhecimento a cerca da terapia cognitivo comportamental, bem como assuntos pertinentes a sociedade contemporânea e suas ramificações. Trabalhei por 6 anos em uma Organização Social, com crianças e adolescentes, com projetos que visam a construção da cidadania, convivência e fortalecimento de vínculos. Sou aspirante a pesquisador em comportamentos, neuropsicologia, intervenções psicoterapêuticas, habilidades sociais e psicopatologias, ingressei na área através do congresso 23º Encontro de Serviços-Escola de Psicologia em 2016, sediado pela PUC-SP. Tenho afinidade em temas advindos da Psicologia Social, bem como sociedade contemporânea e relações humanas. Colunista do Blog “Mundo da Psicologia”, com imenso prazer na leitura e escrita, a fim de ampliar e propagar conhecimentos.