Espelho, Espelho Meu… – Compreendendo a Baixa Autoestima

Espelho, Espelho Meu… – Compreendendo a Baixa Autoestima

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young woman looking into a mirror

Sabe aqueles dias em que você acorda se olha no espelho e surgem centenas de pensamentos como: “Olha o tamanho do meu nariz”, “Meu cabelo está tão estranho hoje”, “Credo, essa espinha enorme”, “ Que orelhas enormes”, “Gostaria de ter olhos verdes” e entre outros pensamentos que incitam descontentamento físico. Neste momento o espelho torna-se nosso pior inimigo e passamos a enumerar os nossos defeitos. E há outros momentos em que destacam-se os nossos defeitos e acabamos por anular as nossas qualidades. Estes pensamentos estão vinculados à autoestima, que relaciona-se a maneira como nos vemos e como somos vistos.

De acordo com Gobitta (2000) no Brasil e em outros países, o tema é pouco abordado cientificamente, é importante destacar que faltam produções nesta área. Pois o aspecto popularizou-se, encontra-se frequentemente abordado em livros de autoajuda e pelo senso comum, dificultando a produção cientifica do tema.

A autoestima é definida como a avaliação afetiva do valor, apreço ou importância que cada um faz de si própria (FREIRE & TAVARES, 2011).

A auto-imagem e a auto-estima estão intimamente relacionadas e são construtos da personalidade, resultantes da interação entre o que somos, como nos vemos e como os demais nos vêem (GALLAR, 1998).

De acordo com Bednard e Peterson (2013), à forma como o indivíduo elenca as suas metas, aceita a si mesmo, valoriza os outros e projeta suas expectativas e projetos. Coopersmith (2014) ressalta que o que o mais se destaca na auto-estima é o aspecto valorativo. Esta percepção é o que o individuo reconhece como parte de si, portanto é adaptável, alterado pelo contexto social.

Tanto o autoconceito, quanto a auto-estima são atributos profundamente individuais, embora moldados nas relações cotidianas. São também decisivos na relação do indivíduo consigo mesmo e com os outros, influenciando na percepção dos acontecimentos e das pessoas, e no comportamento e nas vivências do indivíduo (ANDRADE, SOUZA & MINAYO, 2009).

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Trata-se de uma parte do autoconceito, expressa sentimentos de aceitação ou repulsa de si mesmo, e o limite em que o sujeito se considera capaz, importante, bem sucedido e significativo socialmente. Essa auto imagem é construída, através da relações sociais, a maneira como nos vemos é aprendida e construída ao longe do desenvolvimento e desta interação. E a interpretação que elaboramos de nossa auto imagem influencia em diferentes aspectos de nosso cotidiano, locais e relacionamentos.

Os níveis de auto-estima influenciam a valorização e a confiança pessoal, mas também são responsáveis por êxitos e fracassos na instituição de ensino, no trabalho e na relação das pessoas com os demais (FUNDICHELY E ZALDIVAR, 1999).

Por tanto este aspecto esta ligado a ganhos e perdas, e pode ser elaborado ao longo do desenvolvimento humano. Influencia diretamente a conquista ou não dos objetivos pré-estabelecidos e as dificuldades vivenciadas pelo individuo.  E esta diretamente ligada à felicidade e/ou a transtornos psicológicos como a depressão.

A autoestima foi identificada como uma das características mais associadas aos indivíduos mais felizes. A evidência empírica revela que essa característica individual poderá estar associada, quer a resultados negativos como a ansiedade, a depressão e a agressão (FREIRE & TAVARES, 2011).

Uma vez que a percepção que possuímos de nos mesmos nos torna mais felizes, realizados e pode reelaborar a maneira como interpretamos os estímulos externos. Um individuo que sente-se satisfeito com sua auto imagem, apresenta uma postura positiva frente a situações adversas de seu cotidiano e em contra partida um sujeito que apresenta insatisfação própria, tende a apresentar uma postura negativa frente aos aspectos experenciados por ele.

Pode ser avaliada segundo níveis: baixo, médio e alto. A baixa auto-estima caracteriza-se pelo sentimento de incompetência, de inadequação à vida e incapacidade de superação de desafios; a alta expressa um sentimento de confiança e competência; e a média flutua entre o sentimento de adequação ou inadequação, manifestando essa inconsistência no comportamento (BRADEN, 2000).

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E dentro destes níveis a autoestima pode apresentar-se como positiva ou negativa, em aspectos diferentes. E por tratar-se de uma percepção adaptável e construída, sofre alterações ao longo da vida do individuo, devido a circunstancias e repertórios vivenciados pelo sujeito.

Quando positiva, o indivíduo tem uma satisfação interna que o preenche e o faz sentir-se feliz, valorizando sua existência. Quando negativa, as pessoas sentem-se inferiores em suas capacidades e habilidades em comparação aos demais, são conformistas e não possuem espírito de luta, como é o caso daqueles que são acometidos por transtorno depressivo (GALLAR, 1998).

Como por exemplo um individuo que encontra satisfeito com sua auto imagem esta exposto a uma situação como “ser demitido do emprego”, poderá encarar como uma chance de obter um novo emprego e novas possibilidades de crescimento profissional. Porém o inverso pode propiciar ao individuo que encontra-se insatisfeito com suas características (físicas/psicológicas) poderá encarrar a mesma situação em uma perspectivas negativista, se culpabilizando pela demissão, enfatizando sua incapacidade e questionando-se sobre se conseguirá outro emprego. Por tanto a auto estima e a baixa autoestima associa-se diretamente ao bem estar psíquico e as dificuldades físicas vivenciadas pelos indivíduos.

Segundo Assis & Avanci (2003) a violência familiar, o abuso de drogas, a gravidez precoce, dificuldades escolares, a delinquência, o suicídio, agressões no ambiente escolar, à depressão e a prostituição são problemas vinculados diretamente à baixa autoestima, podem tanto ser causados ou causarem.

Por tanto a auto estima apresenta-se como um dos estímulos aos diferentes comportamentos emitidos pelos seres humanos frente aos fatos do cotidianos.  Um dos motivos dos sujeitos frente a situações relativamente similares apresentarem comportamentos diversos, pois a maneira como nos vemos e como somos vistos influenciam em nossas escolhas/comportamentos. Logo a importância de ao nos olharmos no espelho não realizarmos o questionamento: “O que vemos?” e sim “Como estou me vendo?”, enxergar com os mesmo olhos, mas de maneiras diferentes nos mesmos, os outros e o mundo.

REFERÊNCIAS

ANDRADE, E.R; SOUSA, E.R; MINAYO, M.C.S. Intervenção visando a auto-estima e qualidade de vida dos policiais civis do Rio de Janeiro. Ciência & Saúde Coletiva, 14(1):275-285, 2000.

AVANCI, J.Q; ASSIS, S.G; SANTOS, N.C; OLIVEIRA, R.V.C. Adaptação Transcultural de Escala de Auto-Estima para Adolescentes. Psicologia: Reflexão e Crítica, 20(3), 397-405.

BRANDEN N. Auto-estima: Como Aprender a Gostar de Si mesmo. São Paulo: Saraiva; 2000.

FERREIRA A. R et all. Depressão e auto-estima entre acadêmicos de enfermagem. Rev. Psiq. Clín. 33 (5); 239-244, 2006.

FUNDICHELY, Q.M.; ZALDIVAR, R.I. – Auto-estima en el personal de enfermería. Rev Enferm, Cuba 15 (3): 184-189, 1999.

FREIRE, T; TAVARES, D. Influência da autoestima, da regulação emocional e do gênero no bem-estar subjetivo e psicológico de adolescentes. Rev Psiq Clín. 2011;38(5):184-8.

GALLAR, M. – Promoción de la salud y apoyo psicológico al paciente. Paraninfo, Madrid, 1998.

GOBITTA, M. (2000). Estudo inicial do inventário de auto-estima – Forma A. Dissertação de Mestrado não-publicada, Instituto de Psicologia e Fonoaudiologia, Pontifícia Universidade Católica de Campinas, SP.

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