Como nos Comportamos e Como Podemos Melhorar

Como nos Comportamos e Como Podemos Melhorar

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Por quantas vezes nos perguntamos “por que eu falei o que não queria?”. Nos perguntamos “por que mesmo sabendo que não era bom, eu ainda continuava fazendo?”. Outras vezes ainda “não sabia o porquê não fui bem naquela prova”.

Tantas vezes nos perguntamos por coisas que parecem sem explicação. Filosofamos por algo que fizemos e na verdade não chegamos em conclusão nenhuma, passamos a entender que   o que fizemos não fazia sentido.

E em todos esses questionamentos só queremos entender o porquê nos comportamos de uma determinada maneira nas diversas situações diferentes.

Vamos então tentar entender o que é isso tudo que estamos fazendo o tempo todo? E isso tudo que fazemos, vamos chamar de comportamento.

Mas e aí, o que é comportamento?

Se formos procurar no dicionário o que é “comportamento” ele vai nos mandar procurar o que é se “comportar”. A definição da palavra “comportar” segundo o dicionário Aurélio é a seguinte “ Permitir, admitir. Ser capaz de conter. Conter em si. Portar-se. Porta-se bem” ( FERRERIRA, 2001) .

Mesmo sabendo da definição de se comportar pelo dicionário ainda não conseguimos entender ao certo o que é realmente o comportamento e suas causas. Precisamos então nos aprofundar em cientistas que nos deem subsídios de entendimento aplicado na nossa vida.

Quando entramos no mundo do comportamento humano temos duas definições fundamentais para o entendimento de como nos comportamentos. As definições e suas implicações são estudadas há muitos anos e trazem consigo a importância da ciência comportamental dentro do ramo cientifico.

A primeira definição do comportamento foi nomeada de filogenético. Esse comportamento segundo os teóricos diz respeito aos comportamentos aos quais nascemos com ele, ou seja, de punho inato, todos nós nascemos com eles. Esse comportamento funciona de forma independente perante alguma coisa. Uma pessoa que vê algo que ela gosta de comer o organismo dela já responde com uma maior salivação, indicando sua necessidade. Outro exemplo é que quando estamos perante uma luz nossas pupilas dilatam. Essa relação entre alguma coisa e o comportamento do nosso organismo foi chamada de “comportamento respondente”, ela foi intitulada dessa maneira, pois é uma resposta direta de nosso organismo a um estímulo. Dessa forma as análises são feitas assim:

Estímulos (alteração no ambiente) Resposta (comportamento orgânico inato)
·         Comida

·         Luz

·         Aumento de salivação

·         Dilatação da pupila

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Esse comportamento é natural de nossa espécie e o encontramos também nos animais. Por exemplo, em um cachorro que ao ver sua ração vai emitir a mesma resposta de salivação.

Os comportamentos respondentes são responsáveis pela sobrevivência do nosso organismo, por isso ele não é exclusivo da nossa espécie.

E diante de todos esses estudos sobre comportamento, Skinner faz uma revolução sobre o entendimento do que nós fazemos, como fazemos e porque fazemos. Realmente parece de mais, mas ele faz a diferença na vida de toda a humanidade.

Skinner estudou para entender os outros comportamentos que não são reflexos, por exemplo, falar, emitir gestos e a “personalidade” de cada um. Ao estudar a respeito do nosso comportamento em geral, ele passou a compreender que nos comportamos de forma aprendida em determinado contexto. A obra de Skinner carrega a compreensão de tudo o que fazemos. Então explicarei a base do que ele traz, mas vai muito, além disso.

Chegou então a hora de entendermos o porquê que fazemos as coisas.

Na ciência skinneriana nossos comportamentos só existem, pois aprendemos a nos comportar assim, ou seja, nada vem do acaso e nós fazemos porque aprendemos que é assim que tem que ser feito. Na teoria de Skinner nós só chamamos nossa mãe de mãe, pois existe uma pessoa que consideramos nossa mãe e aprendemos que é assim que devemos chamá-la. Assim como quando vamos ao supermercado comprar alguma coisa e temos que pagar na saída. E dessa maneira também os comportamentos mais complexos, os de relacionamentos, o vai e volta de namoro entre outros.

papaimamaeeeu

Nos estudos de Skinner é entendido que existe um ambiente (que também pode ser alguém), que podemos chamar também de contexto, que nos direciona a emitir determinado comportamento para obtermos uma possível consequência e é essa consequência que faz com que eu possa continuar emitindo esse comportamento. Vou exemplificar:

Antecedente Resposta Consequência
Presença de uma mulher

 

 

Comportamento de falante dizendo “mãe” Temos atenção da mãe e podemos nos comunicar
No supermercado pegamos o chocolate Pagamos o chocolate no caixa Podemos levar o chocolate e comer, sem ter problemas

O comportamento operante, assim nomeado por Skinner, é formado por nossos próprios comportamentos que são mantidos por uma consequência reforçadora que assim mantém o que fazemos.

Isso que é nomeado reforço é um dos termos mais complexos de sua obra, pois é através disso que podemos nos considerar diferentes um dos outros. Cada um possui uma forma diferente de ser reforçado. Aquilo que me reforça pode não ser reforçador para você. Assim como existem pessoas que “gostam” de apanhar existem pessoas que tem aversão a isso. Pessoas gostam de chocolate e outras tem horror a isso. Alguns gostam de peixes e outras não suportam o cheiro. Vou explicar como possivelmente isso pode acontecer:

Gosto por apanhar (Quem não gosta)
Antecedente Resposta Consequência
Filho briga na escola a mãe fica brava e lhe da uma bronca.  Ele chora e pede desculpa para a pessoa que ele bateu A mãe para de falar com o filho. E não recebe mais mesada.
blogdakarlitcha.com.br
Gosto por apanhar (Quem gosta)
Antecedente Resposta Consequência
Treino de artes marciais, o adolescente está lutando. Atleta bate nele. Soca, chuta e se defende e chora. Professor da atenção, o elogia perante aos outros atletas.
preescolaportoseguro.com.br

Podemos perceber que o contexto em que é reforçador é de extremamente importância, e ele só é considerado reforçador, pois mantém a pessoa fazendo a mesma coisa. No primeiro exemplo, o filho pode parar de bater na escola, no outro o atleta quando sentir a dor de apanhar na luta pode sinalizar que é bom e manter-se na luta. Esse exemplo mostra que a função e o antecedente mantem o comportamento. A criança pode nunca querer lutar uma vez que aprendeu que bater é errado e traz consequências aversivas. O adolescente pode não bater em ninguém na rua, pois foi reforçado pelo professor que dentro do treino de artes marciais isso será reforçado.

Para compreender melhor sobre esses fenômenos escreverei o próximo texto para que fique mais claro o que são os reforçadores.

Podemos ter noção que nosso comportamento certamente é emitido em relação com o ambiente e ele só se mantém devido a um reforçador, mesmo ele parecendo não ser algo que reforce.

Referências:

FERREIRA, Aurelio Buarque de Holanda. Mini Aurélio do século XXI: O minidicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002.

MOREIRA, M. B. MEDEIROS, C. A. de. Princípios básicos da análise do comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2007.

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Psicólogo, pós-graduando em psicologia comportamental e cognitiva pela Universidade de São Paulo- USP. Especialista em psicologia do esporte pelo CEPPE. Capacitação em Dependência Química pela UNIFESP-SUPERA. Redige trabalhos científicos. Experiência em saúde mental, estagiou em hospital psiquiátrico e no centro de atenção psicossocial CAPS1. Fundador da primeira Liga acadêmica de analise comportamental na Universidade de Mogi das Cruzes em que realizou a primeira jornada de análise do comportamento do alto tiête. Realizou monitoria durante a formação em analise experimental do comportamento. Realizou trabalho com o Taekwondo com crianças com as mais diversas deficiências. Atualmente realiza trabalho na enfermaria psiquiátrica infantil e desde de antes de sua formação atua clinicamente com crianças portadoras do espectro autista. Apaixonado por psicologia e esporte, sempre atento as novidades da ciência. Matérias que mais me atrai é analise do comportamento e cognitivo comportamental, porém, diferente do que todos normalmente fazem, amo estudar e aprender as outras abordagens e vasculhar novas áreas da psicologia. Sempre deixo a psicologia me levar para onde ela quer.