Ah Como Eu Te Amo, Meu Reforço Positivo!

Ah Como Eu Te Amo, Meu Reforço Positivo!

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Caros amigos que ainda não leram o texto intitulado “Como nos comportamos e como podemos melhorar“, se achar necessário volte e leiam para o entendimento do porquê desse texto. 

Podemos ver no decorrer das nossas vidas coisas bizarras e pensarmos “mas por quê determinada pessoa não consegue sair desse relacionamento?”, “por que alguém gosta de uma coisa e a outra pessoa não gosta?”. Muitas vezes vemos nossos amigos ficando com aquela pessoa “insuportável” e não entendemos o porquê ele está fazendo isso.

Este texto ajudará vocês entenderem um pouco sobre como tudo isso funciona e espero que quando terminarmos possamos ter pelo menos a noção de que gostamos das coisas por algum motivo.

O texto irá explicar um dos conceitos básicos dentro da análise do comportamento, que é o brilho dos meus olhos e da ciência na psicologia. O reforço positivo é um dos conceitos básicos para conseguirmos compreender o comportamento humano. Ele sem qualquer sombra de dúvida é complexo e delicado.

O reforço é nada mais e nada menos do que aquilo que mantém e/ou aumenta a probabilidade da ocorrência do comportamento. Depois de muitos estudos tivemos a ciência que o reforço é tido de forma diferente para cada um e claramente isso dependerá da história de reforçadores de cada pessoa.

O reforço positivo é quando temos uma consequência boa do que fazemos, é determinada positiva pois ganhamos algo com isso, alguém nos dá algo bom por algo que fizemos.

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Exemplo de uma prática do reforço positivo é o nosso salário. Por mais que ele seja em longo prazo, ou seja, demora um mês para chegar, ele sempre nos faz bem quando recebemos. Outro exemplo de reforço positivo é quando tiramos 10 na escola, ganhamos uma boa coisa por algo bom. Entendemos que também continuamos trabalhando para ganhar o salário e que se estudarmos teremos sempre uma nota boa, isso pode nos manter estudando e trabalhando.

Vejamos os elogios como um reforço positivo vindo de um contexto social. Por exemplo, quando alguém pinta o cabelo e todos o elogiam, lhe dão algo bom a respeito dele ter mudado a cor do cabelo e isso pode fazer bem para sua autoestima e essa pessoa continua com a cor no cabelo, podemos dizer que ela foi reforçada positivamente pela sociedade, pois recebeu elogios e manteve esse comportamento.

O reforço positivo fica tão nítido quando vemos o esquema de ficha usado pela “Super Nany” quando ela quer adequar o comportamento das crianças. Ela recebe pontuação e, em seguida, prêmios que ela gosta para que emita comportamentos “bonitos”. Sendo assim, as crianças passam a ficar sob controle daquele reforçador.

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Mas não achem que é assim tão fácil de achar um reforçador para alguém, pois como supracitado ele passa por modelagens ao decorrer da vida e pode ser alterado tão rápido quanto se percebe. Lembre-se daquele presente que você ganhou de aniversário que você nunca usou, então, ele mostra algo que alguém achou que te reforçava, mas não conseguiu. Lembre-se do natal que você deu um presente que esperava que o outro fosse ficar encantado e você nunca o viu usando. Lembre-se daquela foto que você tirou no espelho e achou linda, mas ninguém curtiu e nem elogiou. 

Para um aluno que tira nota 10 na maioria de suas provas, quando ele tira 7 isso pode não ser reforçador para ele, mas o aluno que sempre tirou 5, tirar uma nota 7 já é algo que lhe é recebido como reforço. E é claro que nunca podemos esquecer que só entendemos como reforço aquilo que faz aumentar o comportamento, sendo ele desejável ou não.  Isso quer dizer também que em situações que as crianças que procuram atenção aprendem que levar bronca dos pais é uma forma de adquirir essa atenção, essa bronca pode ser considerada reforço, pois o que ele recebe de bom é a atenção dos pais, mesmo que pareça algo ruim. Podemos ver o quão simples e complexo é esse tipo de reforço.

Também é conceito básico para a análise do comportamento o reforço negativo.  Vou repetir isso algumas vezes para que não confundamos durante o texto o do porquê que está escrito negativo depois do reforço. Precisamos esquecer o negativo como algo ruim e pensarmos no NEGATIVO como RETIRADA. O reforço negativo é o quando nos é tirado algo de ruim e então ficamos bem com isso. Estou dizendo que a função do reforço negativo é a retirada de algo que é ruim e isso faz com que aumente a tendência do comportamento. Mas como?

Vamos começar com um reforço simples, que é quando estamos apertados para irmos ao banheiro, morrendo de vontade de fazer xixi e então achamos o banheiro mais próximo e esvaziamos aquilo que estava nos incomodando. Nesse momento você está recebendo um reforço negativo natural.

Outro reforço negativo do nosso dia-a-dia é quando usamos óculos de sol, pois o sol não permite enxergar direito. Nesse caso os óculos são reforçadores negativos, pois tira a claridade no olho que incomoda. A mentira pode ser um reforçador negativo, pois quando mentimos a respeito de algo que nos fará mal, isso tira uma consequência ruim, ela está sob controle de reforço negativo (também conhecido como esquiva).  O reforço negativo dessa forma não representa algo ruim, mas a retirada de algo ruim que faz com que aumente a tendência daquele comportamento continuar.

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Conclui-se então que na ciência do comportamento é entendido que o comportamento é mantido uma vez que algo lhe reforça, positivamente ou negativamente. E que nada acontece por acaso. Se acontece, pois então, algo lhe reforça. O reforço positivo é quando você ganha algo bom e isso faz com que o aumente a tendência do comportamento acontecer e no reforço negativo acontece a retirada de algo que lhe é aversivo (ruim), e é valido deixar bem claro que o negativo quer dizer retirada e não que o reforço foi ruim.

REFERÊNCIA:

MOREIRA, M. B. MEDEIROS, C. A. de. Princípios básicos da análise do comportamento. Porto Alegre: Artmed, 2007.

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Psicólogo, pós-graduando em psicologia comportamental e cognitiva pela Universidade de São Paulo- USP. Especialista em psicologia do esporte pelo CEPPE. Capacitação em Dependência Química pela UNIFESP-SUPERA. Redige trabalhos científicos. Experiência em saúde mental, estagiou em hospital psiquiátrico e no centro de atenção psicossocial CAPS1. Fundador da primeira Liga acadêmica de analise comportamental na Universidade de Mogi das Cruzes em que realizou a primeira jornada de análise do comportamento do alto tiête. Realizou monitoria durante a formação em analise experimental do comportamento. Realizou trabalho com o Taekwondo com crianças com as mais diversas deficiências. Atualmente realiza trabalho na enfermaria psiquiátrica infantil e desde de antes de sua formação atua clinicamente com crianças portadoras do espectro autista. Apaixonado por psicologia e esporte, sempre atento as novidades da ciência. Matérias que mais me atrai é analise do comportamento e cognitivo comportamental, porém, diferente do que todos normalmente fazem, amo estudar e aprender as outras abordagens e vasculhar novas áreas da psicologia. Sempre deixo a psicologia me levar para onde ela quer.