Falando de Psicologia – Como Escolhemos as Nossas Abordagens Clínicas?

Falando de Psicologia – Como Escolhemos as Nossas Abordagens Clínicas?

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Fonte: posgraduando.com

Ultimamente temos notado algumas dúvidas de estudantes de Psicologia em nossa página no Facebook acerca da escolha da abordagem clínica. Na universidade nós costumamos ter uma ‘pincelada’ de diversas abordagens (não todas, porque são muitas), que variam de faculdade para faculdade, com conteúdo básico.

Então, como nós fazemos essa escolha que é super importante? Juntamos aqui alguns depoimentos dos nossos colunistas falando sobre essa escolha para que vocês possam ter uma ideia de como foi para nós 🙂 E esperamos ajudar vocês!

Ana Cláudia Santos: Abordagem Comportamental (Behaviorismo – Skinner)

Fonte: comportese.com
Fonte: comportese.com

Quando entrei na Faculdade os únicos psicólogos que conhecia como referência era Freud e Jung. Sabia bem pouco de seus conceitos, mas ainda sim, preferia Jung e sua teoria sobre arquétipos e sombra.

Com o passar da graduação percebi que a Psicologia tinha várias ramificações e outras formas de compreender o ser humano. No estágio em Psicoterapia, tínhamos que escolher a abordagem que gostaríamos de estudar, mas não havia opção de Psicologia Analítica (Jung) sendo assim, na minha lógica escolhi Psicanálise (porque acreditava que havia entendido mais sobre ela do que as outras abordagens rs).

Fiquei encantada por Freud através dos olhos e compreensão da minha supervisora. Resolvi seguir a Psicanálise, mas no final do curso passei por alguns problemas de saúde ligados a meu comportamento alimentar. Sabia que precisava procurar ajuda, principalmente naquele momento que era tão importante para concluir o curso.

Pedi indicação de uma psicóloga comportamental à uma amiga, pois acreditava que “o problema” poderia ser resolvido de uma forma rápida. Para minha surpresa, foi a melhor escolha que fiz na vida. Em menos de dois meses assimilei situações que vivenciava e consegui fazer mudanças significativas no meu jeito ser, aprofundando sim na terapia, várias dificuldades que achava que minha psicóloga não aprofundaria por acreditar que a Comportamental era uma abordagem “superficial” rs.

Hoje quero estudar e me tornar uma psicóloga de Análise do Comportamento. Entendi que só podemos fazer nossas escolhas quando vivenciamos na prática, por isso a importância não só de estudar e estagiar como fazer terapia em todo esse processo, estar nos dois lugares “psicólogo/paciente”.

Emanuel Rivero: Abordagem Integrativa (Cognitiva-Humanista)

Bom, sou cercado desde que nasci por muitos psicólogos, cada qual com sua visão de homem e de mundo. Sou bem contrário ao engessamento que a faculdade traz, de que devemos escolher uma abordagem e ‘jurar’ fidelidade a ela.
Acho importante termos uma abordagem como norte, até porque, existem diferenças gigantescas entre algumas, mas de forma geral, sempre me permiti estar aberto a possibilidades e aos poucos construir uma visão focada no indivíduo que está comigo. Não é o paciente que deve se adaptar a mim e a minha abordagem, mas sim eu, a sua demanda.
Gosto muito da Terapia Cognitiva Comportamental e digo que ela segue como base para construção da minha atuação clínica. Mas, não ignoro grandes conceitos da fenomenologia que permitem eu ampliar e alcançar lugares que não conseguiria com a TCC.
Fico feliz de ver nos EUA o surgimento da Terapia Cognitiva-Humanista, que vai ao encontro com a forma como penso e atuo, fortalecendo a minha prática e validando o meu trabalho.

Gabriela Blasi: Fenomenologia-Existencial (reflexões em Heidegger, Boss, Binswanger)

Fonte: fenomenoestrutural.com.br
Fonte: fenomenoestrutural.com.br

Meus olhos brilharam quando começaram as aulas de humanismo na faculdade, sei que um ano para todos os pensadores do humanismo é pouco, mas mesmo assim me senti atraída pela Fenomenologia. Uma abordagem, que na verdade é mais um modelo de reflexão do que ‘abordagem’ propriamente dita, bastante filosófica e centrada na abertura de possibilidades para o cliente.

Quando chegaram os estágios, comecei o Psicodiagnóstico (4º ano) com uma professora Psicanalista Winnicottiana, porém que baseava algumas aulas e intervenções na Fenomenologia-Existencial devido ao material da universidade ser pautado nesse conteúdo. Então eu soube, que no próximo estágio, de atendimento clínico individual (5º ano), eu escolheria essa abordagem para me aprofundar mais neste tema que me chamou atenção e assim foi feito!

Hoje, sou Psicóloga Clínica e atendo com base na Fenomenologia-Existencial, faço supervisão com uma brilhante Fenomenóloga, por acaso a mesma professora que tive na universidade na matéria de humanismo, e estou fazendo um curso com o tema “Fundamentos da Fenomenologia-Existencial e Hermenêutica” para me aprofundar nos conteúdos, acredito que estar em constante aprendizado é essencial para o progresso do nosso trabalho clínico.

Grazi Rezende: Abordagem Comportamental (Behaviorismo – Skinner)

Escolhi a minha abordagem no primeiro período da faculdade. Quando me deparei com os pensamentos e ensinamentos de Skinner senti o quanto aquilo fazia sentido e o quanto ia de encontro com tudo aquilo que sempre acreditei enquanto pessoa. Durante os anos seguintes, quanto mais conhecia as outras abordagens, mais me dedicava ao estudo da Análise do Comportamento e maior era minha certeza de que definitivamente aquela era a minha abordagem. Talvez não exista um critério definido para tal escolha e se existir, sinceramente, nunca descobri. Enquanto percorria por aquela filosofia e ciência do comportamento humano tive experiências incríveis, atendimentos memoráveis, pacientes inesquecíveis e professores surpreendentes. Sem contar também que todos os amigos que fiz na faculdade e que levei para a minha vida, coincidentemente, também são analistas do comportamento (mais reforçador que isso impossível).

A Análise do Comportamento é parte da minha vida e poucos me reforçaram tanto quanto ela. Durante a graduação, uma professora disse que na verdade não somos nós que escolhemos uma abordagem, ela que nos escolhe. E hoje penso que eu fui escolhida pela Comportamental, ela veio diretamente ao meu encontro e eu nunca a soltei.

Luiza Franco: Abordagem Analítica (Junguiana)

Fonte: Nova Acrópole -Goiânia
Fonte: Nova Acrópole -Goiânia

Antes mesmo da faculdade eu já conhecia Jung e suas frases sempre fizeram um completo sentido pra mim. Tudo o que eu lia dele me completava e para mim a visão integral que ele tem do Ser humano é a mais correta. Quando você sentir que aquela abordagem te completa, que faz total sentido pra você e quando você quiser contar pra todo mundo o que está lendo e aprendendo, você terá se apaixonado e terá certeza que aquela é a sua abordagem. 

É preciso ler muito todas as abordagens para ser justo na escolha e jamais ignorar, e muito menos desdenhar, da que você menos gosta, pois existem vários tipos de pessoas e por isso vários tipos de abordagens. 

Lucas Henrique: Abordagem Comportamental (Behaviorismo – Skinner)

A minha escolha não me causou perturbação, pois preferi passar pela prática de todas as teorias, quando ainda estava em formação, dessa maneira deixando minha “cabeça aberta”, para ter uma escolha pautada no que veio ao meu encontro.

Minha escolha acabou sendo bem racional, uma vez que atendo crianças com desenvolvimento atípico. Primeiro pesquisei as abordagens que mais me dariam suporte para atende-las e depois a que melhor me daria acessibilidades aos estudos, e a Análise do Comportamento se destacou, com toda a sua ciência.

Percebi que ao decorrer do curso, quando as aulas eram de Análise do Comportamento, meus olhos logo brilhavam, o aspecto pautado na ciência me dava a segurança necessário de fazer bom um trabalho.  Entendi a partir daí, que a pesquisa científica era um lugar onde me daria bem e então desencadeou a vontade de retribuir, comecei, então, a fazer a pesquisa embasado na análise do comportamento.

Enfim, minha escolha está sendo análise do comportamento, por vim sozinha ao encontro dos meus interesses dentro da psicologia, mas tenho a compreensão que a faculdade me fez psicólogo e como qualquer outro ser-humano estou apto a mudanças, dessa maneira hoje é o que mais está dando certo, mas a psicologia me permite mudanças quando necessário. 

Thamara Bensi: Abordagem Psicanalítica Winnicottiana

Fonte: coloquiowinnicott2.blogspot.com.br
Fonte: coloquiowinnicott2.blogspot.com.br

Estou formada há 3 anos e a escolha da abordagem nunca foi algo conflituoso pra mim, sempre respeitei meu tempo com relação à isso. Desde a faculdade a minha visão de mundo faz sentido e se encaixa com a Psicanálise, mesmo optando em me especializar em Neuropsicologia e trabalhar com uma demanda, na qual, popularmente é vista como tratada com a linha comportamental.

Justamente por vir a trabalhar com Transtorno do Espectro Autista, Síndrome de Down, Paralisia Cerebral e além de transtornos de ansiedade e depressão, me fez chegar a ideologia do Winnicott e perceber o quanto o ambiente influencia na vida e construção de um individuo e suas relações.

Portanto, ao meu ver, o profissional precisa ser autêntico e trabalhar com o que acredita, a conduta e visão profissional necessita fazer parte da sua conduta e realidade. Pode soar como clichê, mas eu acredito que assim como a Psicologia não é escolhida por nós, a sua abordagem também não.

Se observam e se conheçam, que os detalhes vão se encaixando aos poucos e a construção profissional vai se estruturando, assim como nossa existência.

  • Esperamos te-lo ajudado, caro leitor, a ter uma noção de como refletir acerca da escolha da abordagem e a conhecer um pouquinho mais sobre elas 🙂 Estamos a disposição através do nosso e-mail mundodapsico@gmail.com e pelo inbox lá na nossa página no Facebook. 

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