CÉREBRO FEMININO X CÉREBRO MASCULINO: EXISTE DIFERENÇA?

CÉREBRO FEMININO X CÉREBRO MASCULINO: EXISTE DIFERENÇA?

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Desde que o mundo é mundo as diferenças gerais entre o homem e a mulher são percebidas. Segundo alguns estudos, desde épocas remotas, do homem de neandertal, os homens saiam para realizar os trabalhos mais pesados (caça, busca por território) e as mulheres ficavam responsáveis por cuidar do local no qual estavam alojados, procriar e executar tarefas um pouco mais simples (Marlowe, 2005).

Com o avanço da civilização continuamos a acentuar essas diferenças no nosso dia a dia, durante muitos anos a mulher foi direcionada a ficar em casa, cuidar desta e dos filhos, e era proibida de participar ativamente das decisões da família e da sociedade, por mais que ela fosse a maior construtora de tudo isso.

Subjulgada e cansada dessa situação, a mulher começou a se impor nas últimas décadas, com o movimento feminista e diversas outras organizações, foi possível a ela desenvolver-se de forma mais acessível. Ganhar espaço na sociedade, participando ativamente das universidades, empresas e instituições. Ainda hoje existem inúmeras barreiras, porém elas tem se saído vitoriosas desses desafios, da melhor forma possível.

Até o momento, sabemos que existem diferenças físicas entre os homens e as mulheres e, de início, foram essas diferenças que causaram essa separação feminino/masculino. Mas, e a parte biológica? Claro que as questões de anatomia, em geral, são bem conhecidas por nós, mas e o cérebro? Ele se difere? É a partir desses questionamentos que trabalharemos a partir de agora.

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Fonte: Brasil Escola

Simon Baron-Cohen (2003) é um dos maiores pesquisadores a respeito do funcionamento do cérebro masculino, feminino e do que ele chama de cérebro extremamente masculino (esse seria o cérebro do autista, falaremos disso em próximos textos). Em resumo, o autor diz que ‘sim, existe diferença’ entre cérebro masculino e feminino! De acordo com suas pesquisas essas diferenças se dão antes do nascimento, ainda na vida intrauterina, causadas por hormônios sexuais pré-natais; esses hormônios, posteriormente, afetam as aptidões.

Aptidão espacial: mais identificada no sexo masculino, é suprimida pelo estrogênio;

Aptidão para memória verbal: mais identificada no sexo feminino, devido a reposição hormonal.

brain 03Devido a essa alteração hormonal podemos identificar nos indivíduos de sexo masculino uma tendência maior a raciocínios matemáticos, jogos de dardos, formas geométricas e padrões complexos, além de objetos em rotação.

Já os indivíduos do sexo feminino estão mais direcionados a memória verbal e de imagem, facilidade com leitura, além de tarefas de precisão que requerem maior coordenação motora, controle e detalhes.

Ao nascer, todas essas situações são acentuadas ou reprimidas pelo ambiente no qual crescemos, é isso que possibilita mantermos esse ‘padrão’ ou nos diferenciarmos dele.

Partindo disso, podemos apontar que indivíduos do sexo feminino processam a linguagem nos dois hemisférios do cérebro (esquerdo e direito), já os do sexo masculino, processam apenas em um dos hemisférios (esquerdo). Entretanto, para tarefas nas quais é necessária a utilização da orientação espacial, apenas indivíduos do sexo masculino processam dos dois lados de uma região cérebro denominada ‘hipocampo’.

Outra teoria, que partiu da Universidade da Pensilvânia (EUA), conclui as mesmas diferenciações, porém por um caminho diferente. Relata que o cérebro masculino possui mais conexões dentro de cada hemisfério (ou seja, existem mais conexões dentro do hemisfério esquerdo e dentro do hemisfério direito), já o cérebro feminino possui mais conexões entre os hemisférios (ou seja, eles estão mais interligados).

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Conexões: Cérebro Masculino e Cérebro Feminino (Respectivamente)

Fonte: uol.com.br

Importante ressaltar: Não estamos aqui retratando padrões femininos e masculinos, pois nossa intenção não é segregar os indivíduos e caracterizá-los definitivamente, estamos apenas apresentando algumas teorias pelas quais são possíveis algumas constatações. Estas são variáveis e podem cair por terra a partir de futuros estudos e descobertas, além do ambiente no qual cada indivíduo se desenvolve.

Referências Bibliográficas:

  1. FURNHAM, A. ’50 ideias de psicologia que você precisa conhecer’, 1ª edição, São Paulo, Editora Planeta, 2015, pág 84 a 87.
  2. ETTI, C. ‘Você pensa como homem ou como mulher?’, Revista Galileu, Edição 187, Fevereiro/2007. Disponível em <http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT560792-1719-2,00.html>
  3. OMANZOTI, N. ‘Encontradas surpreendentes diferenças entre a conectividade dos cérebros masculino e feminino’, HypeScience. Disponível em <http://hypescience.com/encontradas-surpreendentes-diferencas-entre-a-conectividade-dos-cerebros-masculino-e-feminino/>
  4. MARLOW, F. W. (2005). “Hunter-gatherers and human evolution”. Evolutionary Anthropology: Issues, News, and Reviews 14 (2): 54–67.
  5. BARON-COHEN, S. (2003). The essential difference: Men, women and the extreme male brain. London: Penguin

 

 

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