COMO O CÉREBRO INTERPRETA OS SENTIMENTO DE AMOR E PAIXÃO

COMO O CÉREBRO INTERPRETA OS SENTIMENTO DE AMOR E PAIXÃO

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“Amor é um fogo arde sem se ver, é ferida que dói, e não se sente; é um contentamento descontente, é dor que desatina ferida sem doer”… 

(Camões)

 

Resumo: Podemos analisar o ser humano como um modelo biopsicossocial, ou seja, tudo que agimos, forma de pensar, sentimos, depende de fatores físicos, psicológicos e sociais. Esses fatores referem-se também aos sentimentos, seja ele qual for, seja de amor, paixão, ódio, raiva, felicidade, tristeza, entre outros.

Palavras chave: Cérebro; Interpretação; Sentimentos; Amor; Paixão.

 

Introdução

Para entendermos melhor o funcionamento do cérebro frente a sentimentos, precisamos entender o que é sentimento, emoções, amor e paixão.

 

  • Sentimentos:

Os sentimentos são estados e configurações afetivas, estão associados a conteúdos cognitivos, valores, cultura e representações em geral. Podendo ser vivenciados como dois polos: Agradável/Desagradável, Prazeroso/Desprazível.

Os sentimentos são expostos relativos à sua tonalidade afetiva, como por exemplo: Tristeza, alegria, amor, ódio, vergonha, culpa, confiança, entre outros.

  • Emoções:

As emoções podem ser definidas como reações afetivas momentâneas desencadeadas por estímulos significativos internamente ou externamente (ações, pensamentos, vivências, entre outros). As emoções são frequentemente acompanhadas de reações motoras, hormonais, viscerais, e vasomotoras, sendo ela, subjetiva que envolve a pessoa toda, a mente e o corpo.

As emoções podem ser classificadas como: Emoções Primárias (alegria, tristeza, amor, raiva) e Emoções Secundárias (ciúme, inveja, vergonha).

  • Amor:

Amor está ligado diretamente ao estado da afetividade e também aos sentimentos, podendo ser definido como uma intensa afeição por outra pessoa ou por algo, ligado às relações sociais e/ou físicas, também pode ser definido como uma atração baseada no desejo sexual, quando não patológico.

  • Paixão:

A paixão é um estado afetivo extremamente intenso, que domina a atividade psíquica como um todo, captando e dirigindo a atenção e interesse do indivíduo em uma só direção, incumbindo os demais interesses, advinda de atividades neurobiológica, psicológica ou sociocultural.

 

Aspectos cerebrais e neuropsicológicos das emoções

Segundo Papez (1995), as estruturas e o circuito cerebral das emoções, incluíram estruturas na face medial dos lobos temporais e frontais. Tais estruturas seriam: hipotálamo, o fórnice, os corpos mamilares, o hipotálamo, os núcleos talâmicos anteriores e o giro cingulado no lobo frontal. O hipocampo exerce um papel importante na expressão emocional, e o giro cingulado, localizado no lobo frontal, como região receptora da experiência emocional.

Sendo assim, as emoções são respostas neurológicas e fisiológicas a estímulos externos¹ e internos², coordenados pelo próprio pensamento que envolve as estruturas do sistema límbico.

¹ Estímulos externos: Estímulos externos são advindos de situações do ambiente, envolvendo situações sócio afetivas, culturais e de outros eventos do ambiente.

² Estímulos internos: Está relacionado ao interno do indivíduo, ou seja, ao psicológico, advindo de pensamentos, lembranças, entre outros.

 sis límbico
Sistema Límbico

Fonte: A Mulher e o Perineo

 

Hormônios e Neurotransmissores liberados frente a emoções relacionadas ao Amor e Paixão

Como explicado anteriormente sobre o sistema límbico, o hipotálamo transmite uma mensagem, através de vários produtos químicos, para a hipófise, a qual libera hormônios que são rapidamente liberados na corrente sanguínea. Os Neurotransmissores e hormônios liberados durante a paixão/amor e suas funções no organismo são:

2.1 Neurotransmissores

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Fonte: Nutrição Sadia

  • Feniletilamina

Sua ação é semelhante à das anfetaminas, que têm efeito potencializador no sistema nervoso central. Pode ser liberado por eventos tão simples quanto um aperto de mão ou troca de olhares. Quando uma pessoa está apaixonada, ocorrem concentrações aumentadas desses neurotransmissores.

  • Noradrenalina

Neurotransmissores que fazem o coração acelerar e prepara para a ação de ver a pessoa amada, como uma reação de “ataque ou fuga”, causando efeitos visíveis e perceptíveis como, por exemplo: Suor, coração acelerado, arrepio, entre outros. Seus níveis são estimulados pela feniletilamina.

  • Dopamina

Dopamina é o neurotransmissor de controle das emoções, como por exemplo, o amor e paixão. Ela potencializa a sensação do bem-estar.  Seus níveis também aumentam na paixão e é responsável pelo aumento do desejo pela pessoa amada. Também é ela que atua nas descargas de emoções para o coração e para as artérias.

  • Serotonina

A serotonina parece ter funções diversas, como o controle da liberação de alguns hormônios e a regulação do ritmo circadiano, do sono e do apetite, e também está relacionada ao estado de humor do indivíduo (tônus).

Apresenta níveis reduzidos na paixão e é responsável pela “tonalidade” do humor. Essa redução torna os apaixonados mais sensíveis à depressão, mas a paixão não é uma inimiga por causa disso. Pessoas apaixonadas são mais receptivas às novas sensações de bem estar quando há alguém ao seu lado.

Nesse caso, a Serotonina atua junto com a Dopamina. Quando seus níveis reduzem-se, sobem os níveis de dopamina, mudando a forma de pensar e sentir havendo aumento de euforia e excitação.

  • Endorfina

Sua denominação se origina das palavras endo (interno) e morfina (analgésico).

Endorfina é um neurotransmissor, que quando liberado pela corrente sanguínea, desperta uma sensação de euforia e bem-estar, sendo considerado como o hormônio do prazer.

Quando se trata de amor e paixão, falamos também de relação amorosa ou sexo, a endorfina é produzida em grande quantidade durante o orgasmo ou quando há um intenso prazer na relação.

Endorfina possui muito efeitos positivos, como por exemplo: Estimula a memória; Melhora o bom humor; Aumenta a resistência; Aumenta a disposição física e mental; Melhora o sistema imunológico; Bloqueia as lesões dos vasos sanguíneos; removem superóxidos (radicais livres); Aliviam as dores; Melhoram a concentração.

2.2 Hormônios

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Fonte: Running Health

  • Testosterona

Apesar de ser o hormônio sexual típico do homem, ele também está presente na mulher, porém em menor quantidade. Quando a pessoa está apaixonada, há uma estimulação nessa substância, e ela aumenta. Na mulher, ela sente mais libido. Nos homens, a testosterona cai, deixando-o menos agressivo.

  • Oxitocina e vasopressina                                          

Oxitocina em mulheres

Nas mulheres a oxitocina exerce função interna e externa, ela melhora a libido feminina, também aumenta a lubrificação e o tônus vaginal. Intensifica a experiência do orgasmo e a memória de experiências prazerosas. As mulheres chegam mais rápido ao orgasmo quando se utiliza a oxitocina e são mais propensas a experimentar múltiplos orgasmos.

Oxitocina em Homens

A oxitocina nos homens aumenta a sensibilidade do pênis durante o contato sexual e aumenta a frequência das ereções. Ela melhora a ejaculação pela contração estimulante das vesículas seminais, túbulos seminíferos, epidídimo e da próstata. A liberação de espermatozoides também é reforçada pela oxitocina.

A oxitocina é liberada em momentos como abraços, beijo, relação sexual, entre outros contatos físicos. É o hormônio que estreita a relação do casal devido à sua capacidade de gerar profundas conexões emocionais, e sua capacidade de combustão de sentimentos, intimidade e desejo sexual.

Vasopressina

Algumas estruturas límbicas contêm receptores para vasopressina, ela está relacionada a aspectos emocionais, ao comportamento, aprendizado e memória. Esse hormônio está relacionado ao amor e paixão, ele exerce funções de estímulos para alguns órgãos, sendo relacionada às ações no sistema nervoso central como:

  1. Sensibilidade à dor: estudos recentes parecem relacionar a vasopressina à sensibilidade a dor no estresse (Pessoas apaixonadas reduzem o estresse)
  2. Memória: está associada a uma melhora da memória
  3. Agressividade: níveis mais elevados de vasopressina estão relacionados a uma personalidade mais agressiva (Quando a pessoa está apaixonada, há uma redução dos níveis de vasopressina, reduzindo a agressividade)
  4. Ansiedade: altos níveis de vasopressina estão relacionados a um maior nível de ansiedade. (Quando a pessoa está apaixonada, há uma redução nesses níveis, reduzindo a ansiedade).

 

Conclusão:

Quem poderia imaginar que o sentimento de amor e paixão pudesse ser tão complexo ao ponto de exercer função em todo nosso organismo e provocar mudanças no mesmo, liberação e hormônios, alteração no funcionamento dos nossos órgãos, e também em nosso psicológico com alteração na escala de humor, na emoção, no pensamento e no desejo.

Amor e paixão são essencialmente importantes para nossa vivência e bem-estar, quando equilibrados.

Para finalizar, gostaria de acrescentar um verso de Carlos Drummond de Andrade para poder complementar a conclusão deste artigo:

O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.

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Fonte: Egbldm

 

Bibliografia

  1. ANDRADE, C. D. (1989) Obra poética, Vol. 4-6. Lisboa: Publicações Europa-América
  2. BALLONE, G.J. Sentimentos e Emoções – in. PsiqWeb, Internet, Disponível em http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?art=259&sec=47.          Recuperado em março de 2015.
  3. Caldwell, H.K.; Lee, H.J.; Macbeth, A.H.; Young III, W.S. (2008) ” Vasopressin: Behavioral Roles of an “Original” Neuropeptide Prog Neurobiol. 84: 1-24.      Disponível em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2292122/pdf/nihms-38684.pdf“.   Recuperado em março de 2015
  4. Caldwell, H. K.; Young III, W.S. (2006). Oxytocin and Vasopressin: Genetics and Behavioral Implications. In. Lajtha, A.; Lim, R. Handbook of Neurochemisty and Molecular Neuobiology: Neuroactive Proteins and Peptides (em Inglês). p. 573-607. 3 ed. Berlin: Springer
  5. Dalgalarrondo, P. (2008). A afetividade e suas alterações In Dalgalarondo, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. (p. 155-173) 2 ed. Porto Alegre: Artmed
  6. Papez, J.W. (1995) A proposed mechanism of emotion. Journal of Neuropschiatr and Clinical Neuos-ciences, v. 7, n 1, p.103-112

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