A Importância das Brincadeiras e dos Jogos no Desenvolvimento Cognitivo Infantil

A Importância das Brincadeiras e dos Jogos no Desenvolvimento Cognitivo Infantil

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Quem se lembra das brincadeiras que fizeram parte de nossas infâncias? A minha foi repleta de amarelinhas, pega-a-pega (e os derivados, pega-a-pega fruta, pega-a-pega duro ou mole), esconde-esconde, jeans, mãe da rua, gato mia, bolinha de gude, andar de bicicleta, estrela nova cela e entre outros. A você deve estar pensando que todas estas brincadeiras e brinquedos eram apenas maneiras de entretenimento e ou passar o tempo. E os pais com certeza devem pensar “Bom que mantem a criança ocupada”, “Ah ele deve estar se divertindo, que bom” e outros pensamentos que simplificam o brincar. Bom ai que vocês se enganam a brincadeira é muito mais que apenas uma brincadeira e pode auxiliar no desenvolvimento infantil em diversos aspectos.

Para se ter uma ideia da importância do ato de brincar na construção do conhecimento é preciso que se observe uma criança brincando. É possível aprender muito desta observação. Se formos atentos e sensíveis, veremos os caminhos que ela trilha ao aprender sem a intervenção direta do adulto (PEDROSO et all, 2006). 

Segundo Pedroso (2006) um exemplo que podemos citar seria uma criança construindo com pequenos blocos de madeira. Ao observamos esta brincadeira podemos concluir que envolve um processo, não consiste apenas em chegar ao resultado, como montar um casa e/ou cidade, e sim no conteúdo do fazer. Auxilia a criança a compreender que para todo resultado final, existe um percurso, um processo que deve ser realizado que antecede a conclusão.

Por tanto nesta brincadeira apresentada como exemplo pelo autor podemos associar a atividades do cotidiano infantil que provavelmente também farão parte também do dia-a-dia na fase adulta. Como escovar os dentes e/ou tomar banho, para que a criança/adulto possa concluir (dentes limpos/banho tomado) é necessário o processo/percurso da tarefa. Outras brincadeiras auxiliam também na compreensão e execução de regras.

Através da atividade lúdica a criança desenvolve a imaginação, o processo e o resultado final. E atividades que envolvem regras, auxiliam a subordinar-se a uma regra, dominar regras significa dominar seus próprios comportamentos, controlando-se e submetendo-se a um proposito (LEONTIEV, 1998, p.139).

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Atividades como jogos, com recursos ou não (tabuleiro ou apenas verbalizados), porém que possuem regras podem desenvolver estes aspectos na criança, a mesma passará a conhecer limites e subordinar-se a regras. E compreenderá que ao longo de seu desenvolvimento irá se deparar constantemente com regras, aos quais deverá seguir, tanto em aspectos sociais, e em ambientes diversificados como escola, família e no trabalho. Uma vez que também o lúdico auxilia a criança no decorrer do seu desenvolvimento favorece as crianças e jovens que jogam em grupos, a aprenderem a respeitar as pessoas, a colaborarem com elas, a receberem ajuda, a tentar compreendê-las, é a função comunitária.

Podemos analisar a importância das brincadeiras e dos jogos, vale destacar também a relevância do brinquedo. Os brinquedos vão realizar sonhos, desmistificar fantasias ou simplesmente estimular a criança a brincar livremente. Pois com estes instrumentos, uma boneca pode virar uma bailarina, uma modelo, uma noiva, uma super – heroína, filinha e/ou princesa. E um carrinho pode magicamente se transformar em uma nave espacial, um avião, um monstro e entre outros. Estes instrumentos assume para a criança um significado e após a fase adulta, ao revê-los poderá recorda-se das aventuras que foram experienciadas apenas por ela e por aquele brinquedo, que levará consigo por toda a vida.

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O brinquedo é a atividade principal da criança, aquela em conexão com a qual ocorrem as mais significativas mudanças no desenvolvimento psíquico do sujeito e na qual se desenvolvem os processos psicológicos que preparam o caminho da transição da criança em direção a um novo e mais elevado nível de desenvolvimento. (LEONTIEV, 1998).

Uma das fases em que se faz mais presente o lúdico no desenvolvimento infantil de acordo com Pedroso (2006) é, portanto, na fase pré-escolar onde o brinquedo torna-se a atividade principal da criança, uma atividade que auxilia a compreensão do processo e não somente no resultado da ação. O motivo que a conduz a ação e que na verdade envolve o conteúdo do processo.

Temos como exemplos escolas, hospitais e outros ambientes que ao apropriar-se do brincar desenvolveram espaços repletos de instrumentos lúdicos que estimulam o brincar. Nomeados como brinquedoteca, é um espaço que visa estimular crianças e jovens a brincarem livremente, pondo em prática sua própria criatividade e aprendendo a valorizar as atividades lúdicas. Tem como proposta o brinquedo, o objeto, sua necessidade é de ampliar e preservar as possibilidades de vivência do lúdico. E oferecer possibilidade de bons brinquedos e ao mesmo tempo, brinquedos de qualidade é a função pedagógica. Quando uma criança entra na Brinquedoteca, deve ser tocada pela expressividade da decoração, pela alegria e a magia do espaço, ate o ambiente propicia o aprendizado e a imaginação das crianças.

Nos como principais “ajudadores” desse desenvolvimento devemos como pais, professores, psicólogos e entre outros embarcar nesse lúdico, envolver as crianças e estimula-las a brincar. Mas brincadeiras “saudáveis” que propiciem a aquisição de subordinação, de regras, de socialização, imaginação, significados e papeis. Pois quem nunca foi criança? E como é bom ser crianças, uma vez que neste papel nos permitirmos ser, quem desejamos ser.

REFERÊNCIAS

ARAUJO, M. C. C. da S. Perspectiva histórica da alfabetização. Viçosa: Universidade Federal de Viçosa, (Caderno 367), 1995.

Barbosa, M.C. S. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. Educ. Soc. vol.18 no.59 Campinas Aug. 1997.

LEONTIEV, A.N. Uma contribuição à teoria do desenvolvimento da psique infantil. In: VYGOTSKY, L.S. et al. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone, 1998.

PEDROSO, C.A et all. PAPEL DO BRINQUEDO NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL, 2006.  

VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. 6. ed., São Paulo: Livraria Martins Fontes, 1998.

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