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Um breve olhar sobre a questão simbólica na Psicologia Analítica de Carl G. Jung

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Não podemos querer entender o mundo apenas com o intelecto”

 (Carl G. Jung)

Você é uma daquelas pessoas que possui aquele objeto especial que todas as outras falam para se desfazer, mas mesmo assim o mantém?

Há ainda em seu armário aquela peça de roupa que embora não use há uns 12 anos, e que pelo caminhar do tempo não haverá a menor possibilidade de ser usada novamente, que você não consegue se livrar pelos sentimentos e os momentos envolvidos que a mesma lhe traz?

Espero que em algum desses contextos você tenha se encaixado, mas caso não tenha, não se desespere, acredito que tenha se lembrado de alguma ocasião parecida a qual tenha vivido em que algo totalmente comum tenha despertado tamanha afeição que o simples fato de se imaginar sem esse “dito cujo” sua mão soa e seu coração treme.

Se for assim, meus parabéns, pois você acaba de ser enquadrado naquela parte de indivíduos que possuem em alguma instância um SÍMBOLO.

Para Carl Gustav Jung, precursor da teoria Junguiana, a questão simbólica e seu universo ganha grande importância e destaque em seus estudos, visto que, o mesmo é a ponte de ligação para o inconsciente e toda a sua forma de expressão.

“O que chamamos símbolo é um termo, um nome ou mesmo uma imagem que nos pode ser familiar na vida cotidiana, embora possua conotações especiais além do seu significado evidente e convencional. Implica alguma coisa vaga, desconhecida ou oculta para nós.” (Jung, Carl G. O homem e seus símbolos, pg 18).

carljungdepthpsychology.wordpress.com

A palavra símbolo é derivada do grego symbolon, um sinal para reconhecimento. Sendo o mesmo um sinal visível de uma realidade imaterial, indivisível, onde uma palavra ou imagem é simbólica quando a mesma implica em alguma coisa além de seu significado manifesto e imediato, na qual o seu contexto mais amplo nunca é inteiramente definido ou explicado.

Esse mesmo símbolo permite que nos aproximemos do divino em nós, que possamos unir nossas polaridades, sendo presente em todos os momentos em que houver a necessidade de uma transição ou passagem.

O envolvimento com essa instância no contexto diário nada mais seria do que permitir com que a simbolização viesse à tona. A qual é a chance de se viver de fato os sentimentos que estão dispostos no especial “objeto”, tendo a liberdade de se envolver e abrir- se ao enigmático trazido por ele.

Quando nos permitimos relacionar com um símbolo tudo o que está ligado a ele subitamente ganha vida.

“No símbolo “criança”, tornar-se viva a lembrança: que tipo de criança eu fui? Como era ser criança? Como lido com meus filhos? Mas também desperta o sentido de vida que tínhamos quando crianças: ainda tenho o futuro pela frente; esperem até eu crescer.” (Kast, Verena. A dinâmica dos símbolos – fundamentos da psicoterapia junguiana, pg 28).

Os mesmos podem nos trazer alegrias e um movimento de felicidade, mas muitas vezes podem abarcar em dores e nos lembrar do que há muito tempo gostaríamos de esquecer, sendo facilmente corrompidos por nossos mecanismos de defesa.

Independente do que possa ser desconfortável a primeiro momento, ou lhe cause um êxtase, olhar para esse universo em nosso cotidiano permite com que o processo de autoconhecimento e de profundidade seja cada vez mais conquistado.

A compreensão sobre o motivo de termos apego a isso ou àquilo, deveriam ser o começo de toda a nossa jornada de autodescoberta, onde aquela “velha roupa” encostada em nosso armário por anos, poderia querer nos dizer da necessidade de buscar em nossa alma o que “enterramos” daquela época em que a usávamos e que hoje seria de grande utilização para algumas adversidades que enfrentamos no momento.

A música tão ouvida e lembrada da infância, que resgatamos hoje ao nos depararmos com a tristeza, poderá ser o elo que o nosso inconsciente está utilizando para comunicar o desejo de encontrar, dentro de nós, o colo e o sustento a nossa personalidade em dias tão frios e caóticos.

Sobre isso uma valiosa lição é aprendida: o símbolo nosso de cada dia nada mais é do que a chamada de nosso próprio inconsciente ao viver plenamente, a ter uma existência cheia de sentido e significado, sendo uma construção pautada na simplicidade e comum a todo e qualquer ser humano.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

JUNG, Carl G. O homem e seus símbolos. ed. Nova fronteira.2008.pg.447

KAST, Verena. A Dinâmica dos Símbolos – Fundamentos da Psicoterapia Junguiana. ed. Vozes. 2013. Pg.311.

STEIN, Murray. O Mapa da Alma- Uma Introdução. ed. Brasil: Cultrix. 2000. pg. 216

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Graduanda em Psicologia pela FSP- Faculdade Sudoeste Paulista, apaixonada por religião e afins, vidrada na saga Star Wars, amante de séries e literatura brasileira. Nas horas vagas toca piano e arranha no violão, além de tentar verse leva algum talento na escrita. Ah, possui grande afinidade pelas ideias de Carl G. Jung, desde o primeiro momento em que ouviu sobre as mesmas se tornando, ele, o dono de seu coração. Teve um flerte com Freud, algo de um semestre, mas permanece firme com o primeiro amor.