As Crianças Pedem Socorro! Ansiedade Infantil

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Toothless boy smiling

O assunto que vamos trabalhar envolve um campo um tanto quanto complexo.  Envolve políticas públicas, saúde mental, futuro do mundo, infância, patologia, tratamento, entre vários outros temas polêmicos. Esse assunto  se torna um mundo sem limites.

Não é novidade que os tópicos que mais me interessam estão relacionados a crianças e à ansiedade, e tenho a felicidade e a  oportunidade de unir esses dois assuntos dissertando sobre a “Ansiedade Infantil”. Para que haja uma compreensão mais clara, precisamos então, entender o que é ansiedade, o que é criança e o que acontece com a união entre as duas.

A ansiedade hoje está estabelecida em diversos campos. Encontramos pessoas em todos os lugares reclamando que estão sofrendo de ansiedade. Existe um preconceito já arraigado sobre a compreensão da ansiedade; acreditam que ela  é  de todo má.

No entanto, podemos entendê-la de outra forma, diante do exposto pela  literatura, a respeito, refletindo que ela pode ser algo bom para as pessoas . A ansiedade é algo positivo, na medida em que ela se mostra uma forma de alerta para os possíveis riscos, levando o corpo a responder de maneira a enfrentar determinadas situações.

A classificação da ansiedade é divida por dois tipos, sendo eles a ansiedade traço e ansiedade de estado:

  • ANSIEDADE DE TRAÇO: A ansiedade de traço diz respeito aquela que faz parte da personalidade da pessoa, sendo então “traço da personalidade”. Esse sujeito na maioria das situações e nos diversos ambientes desperta com facilidade o sintomas ansiosos.
  • ANSIEDADE DE ESTADO: A pessoa fica ansiosa por um determinado evento, dessa forma despertando sintomas diante de determinado estimulo ou uma classe de estimulo. Por exemplo:
  • Ansiedade por um determinado estímulo: uma pessoa se depara com uma barata e quando isso acontece, apresenta sintomas ansiosos; porém diante de outros bichos ela não sente nenhum desses sintomas.
  • Ansiedade por uma classe de estímulo: acontece quando a pessoa tem sintomas ansiosos por diversas coisas, que em geral tem as mesmas características, como bichos com penas ou determinados ambientes que estão relacionados às questões aversivas (que não a fazem bem).

 

wtisaude
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Essa foi uma forma sintetizada de explicar sobre o que é ansiedade, porém sua análise vai bem mais a fundo em suas variedades de casos. Pudemos perceber a complexidade do tema. Então, retornaremos ao ponto de início e vamos delimitá-lo apenas aos casos da ansiedade infantil.

A criança como qualquer outro ser-humano se depara com perigos, e, diferentemente dos adultos, nem sempre tem solução ou experiência para lidar com eles. Nessas situações, o que podemos considerar como mundo interno (organismo) se comporta para se defender. Dessa forma, a aceleração dos batimentos cardíacos o maior bombeamento de sangue prepara os músculos para o que pode vir acontecer.

Quando pensamos em entender e identificar os sintomas de ansiedade nos adultos, podem ter como ferramenta o que eles falam, mas quando se trata de uma criança, em alguns casos isso se torna mais complexo, pois nem sempre elas conseguem dizer o que está se passando em seu mundo interno ou explicar qual sensação estão tento; difícil também é identificar o que desencadeou os sintomas.

Deve-se ter todo cuidado do mundo, para as observações a serem feitas. Geralmente os sintomas dessas crianças tem sua origem nos comportamentos dos pais, que por milhares de motivos não conseguem identificá-los. A identificação, às vezes, não é realizada pelos pais; então, os profissionais usam técnicas de observação clínica para conseguir clareá-las.

 

spring.org
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A causa de ansiedade até hoje vem sendo estudada. Sabe-se que não é possível dizer que ela é causada por um gene, segundo a teoria da hereditariedade, porém hipotetizam que ela pode ser causada pela a união de alguns dos genes, podendo também ser devido aos fatores biológicos. Outro fator que se mostra determinante de sua causa é o ambiente em que a criança se desenvolve como a casa ou a escola.

O contexto familiar é um dos influenciadores determinantes para gerar a ansiedade, por dizer respeito aos relacionamentos que a criança tem. É através desses relacionamentos que ela se desenvolve e aprende, sendo possível a ansiedade ser aprendida a partir dos comportamentos dos cuidadores.

                Os sintomas aparecem de várias formas, por isso a atenção nos comportamentos emitidos pelas crianças deve ser  cuidadosa. Seguem os sintomas:

  • As crianças normalmente são caracterizadas como “medrosas”;
  • Em sua maioria são nervosas;
  • Têm medo de animais;
  • São tímidas;
  • Têm baixa auto-estima;
  • Têm preocupação excessiva;
  • Têm medo de fazer mal a alguém;
  • Têm sentimento de culpa;
  • Têm pensamentos e verbalização de suicídio;
  • Têm dificuldade em enfrentar a escola e comportarem-se como os colegas;
  • Entre outros;

Esses são alguns sintomas que podem ser observados. Outros acontecem internamente, por exemplo, sensação de mãos e pés gelados ou formigamento e todos os conjuntos de questões  físicas, psicológicas, emocionais e comportamentais.

pediatria em foco
pediatria em foco

Então é lançada a pergunta mais comum sobre o assunto: e o seu tratamento? Podemos dizer que o determina o tratamento será a intensidade dos sintomas e o quanto isso paralisa a vida da criança. Sem dúvida o tratamento psicológico é fundamental para entender as reais causas e a partir da análise feita, preparar intervenções adequadas, que muitas vezes não são feitas apenas com as crianças, mas também com os cuidadores delas.

Em casos extremos, em que a criança está com o prejuízo muito grande a respeito dos sintomas, deve-se procurar ajuda médica especializada, que pode ser necessária para o inicio do tratamento. É sem dúvida mais eficaz que os profissionais trabalhem juntos para o bem estar dessa criança para que ela consiga voltar a ter uma boa qualidade de vida.

É importante levar a conhecimento de todos o tema e a reflexão, pois quanto mais cedo for identificada a ansiedade, melhor será o desenvolvimento dessa criança, para que no futuro ela consiga adequar os comportamentos que lhe causam sofrimento.

Referências:

ANDRADE, L. H. S. G.; GORENSTEIN, Clarice. Aspectos gerais das escalas de avaliação de ansiedade. Revista de Psiquiatria Clínica, v. 25, n. 6, p. 285-290, 1998.

ASSIS, S. G. et al. Ansiedade em crianças: Um olhar sobre transtornos de ansiedade e violências na infância. 2007.

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Psicólogo, pós-graduando em psicologia comportamental e cognitiva pela Universidade de São Paulo- USP. Especialista em psicologia do esporte pelo CEPPE. Capacitação em Dependência Química pela UNIFESP-SUPERA. Redige trabalhos científicos. Experiência em saúde mental, estagiou em hospital psiquiátrico e no centro de atenção psicossocial CAPS1. Fundador da primeira Liga acadêmica de analise comportamental na Universidade de Mogi das Cruzes em que realizou a primeira jornada de análise do comportamento do alto tiête. Realizou monitoria durante a formação em analise experimental do comportamento. Realizou trabalho com o Taekwondo com crianças com as mais diversas deficiências. Atualmente realiza trabalho na enfermaria psiquiátrica infantil e desde de antes de sua formação atua clinicamente com crianças portadoras do espectro autista. Apaixonado por psicologia e esporte, sempre atento as novidades da ciência. Matérias que mais me atrai é analise do comportamento e cognitivo comportamental, porém, diferente do que todos normalmente fazem, amo estudar e aprender as outras abordagens e vasculhar novas áreas da psicologia. Sempre deixo a psicologia me levar para onde ela quer.