O amor na época da modernidade

O amor na época da modernidade

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Como já dizia Bauman, “A era da modernidade líquida em que vivemos — é um mundo repleto de sinais confusos, propenso a mudar com rapidez e de forma imprevisível…”.

Bauman desde o seu livro Modernidade Líquida vem refletindo sobre como as relações vem se tornando individualistas e cada vez mais são transitórias e voláteis, como ele bem disse “os sólidos conservam sua forma e persistem no tempo: duram, por outro lado, os líquidos são sem forma e se transformam constantemente: fluem. Como a desregulação, a flexibilização ou a liberação dos mercados” (Bauman, 2000)

O indivíduo dentro da modernidade líquida busca criar laços que sejam frouxamente atados, o que implica a criação de vínculos, mas, que se necessário seja facilmente desfeito, sem demora; ou seja, como um apertar de laços e ao mesmo tempo mantê-los frouxos.

Cada vez mais é frequente o estabelecimento de relações virtuais, as quais pode se dizer que foram surgindo paralelamente com o ciberespaço, entendendo ciberespaço como o “espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memorias dos computadores” (Pierre Lévy, 1997).  É claro que essa definição corresponde a sua época , 1997, hoje temos muitos mais aparelhos nos quais podemos nos comunicar, mas a essência da definição continua sendo valida aos tempos atuais.

Em vista do surgimento de tais formas de relacionamentos, é cada vez mais frequente encontrar pessoas que preferem conhecer gente nova pela internet do que sair em lugares públicos. O Bauman, no seu livro Amor líquido, 2004, cita umas entrevistas feitas por a universidade de Bath, com a intenção de nos dizer que o namoro pela internet tem várias vantagens em comparação com os encontros pessoais, tal como um entrevistado de 28 anos o expôs: “Você sempre pode apertar a tecla para deletar. Deixar de responder um e-mail é a coisa mais fácil do mundo.” Já France, da Universidade de Bath, cita as palavras do doutor Jeff Gavin da mesma Universidade, “na internet pode-se namorar ‘sem medo de repercussões no mundo real’. Ou, de qualquer maneira, é assim que a pessoa se sente ao conseguir parceiros na internet”.

lina rewechtv

 

Fonte: RewechTV

“Terminar quando se deseja — instantaneamente, sem confusão, sem avaliação de perdas e sem remorsos — é a principal vantagem do namoro pela internet” Bauman, 2004.

São essas palavras que em minha opinião define em parte o mundo atual, o instantâneo, a vida dentro desta modernidade é cada vez mais corrida, porém os indivíduos sentem que devem ir nesse ritmo; onde se deve consumir o mais rápido possível, onde se descarta o que não se usa ou já não serve, onde o ser humano está com medo de ficar com um parceiro “até que a morte os separe” porque o mundo cada vez traz coisas mais inovadoras e ele sente que não pode estar atado, isso suga a juventude e rouba “a ideia de liberdade”. Por isso o indivíduo vê a necessidade de reduzir riscos e evitar a perda de opções, e o namoro pela internet lhe oferece esta oportunidade.

O namoro, o contato e formação de amizades através da internet podem ser também chamados de relacionamento virtual ou proximidade virtual. Estabelecendo uma discussão entre realidade e virtualidade, onde segundo o Bauman, a proximidade virtual se tornou a “realidade”, já que segundo Durkheim, citado por Bauman, (2004) é realidade “algo que fixa, que “institui fora de nós certas formas de agir e certos julgamentos que não dependem de cada vontade particular tomada isoladamente”; algo que “deve ser reconhecido pelo poder de coerção externa” e pela “resistência oferecida a todo ato individual que tenda a transgredi-la”.

Em outras palavras o uso habitual da internet, esta tipificando este tipo de condutas, e institucionalizando-o como um comportamento socialmente aceitável, ao ponto de que a “os relacionamentos virtuais” cada vez mais estão virando uma realidade objetiva, que segundo os autores Berger e Luckmann, é onde a realidade social da vida cotidiana é adquirida através de umas tipificações que progressivamente viram anônimas (chega ao ponto onde não se reconhece de onde surgem) à medida que vão ficando mais longe do “aqui e agora”.

lina macmaganize

 

Fonte: Macmagazine

Parece que as relações e os vínculos cada vez estão ficando mais distantes do que na época anterior, onde o único contato a distância era o envio de cartas. Mas, atualmente existe também o lado positivo  que este tipo de comunicação pode trazer para os relacionamentos, no meu caso, que moro em outro pais, ele está me permitindo manter contato com minha família e amigos. Assim me ajudando a preservar um espaço de intimidade, que sem essa pequena ajuda que as ferramentas do ciberespaço nos dão, seria realmente difícil de manter.

Agora, para você, sabendo que esse é o fluxo da modernidade liquida, qual é o benefício que ela traz para você?

 

Bibliografia

Bauman Z. ‘Modernidad Liquida’ Fondo de cultura económica de Argentina, 2000.  Prefacio ‘acerca de lo leve y lo liquido’ pág. 7-20. Disponivel em http://colegiodesociologosperu.org/nw/biblioteca/modernidad-liquida.pdf

Bauman Z. ‘Amor liquido : Sobre a fragilidade dos laços humanos”,2004. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. Capitulo 3 ‘Dentro e fora da caixa de ferramentas de sociabilidade’ pág. 27 a 46

Berger,  P. L. & Luckmann T. ‘La construcción social de la realidad’ Amorrortus editores, 1958. Capitulo II ‘la sociedad como realidad objetiva’ pág 64 a161

Levy P. ‘Cibercultura’, 1997. Editora Edile Jacobs. Capitulo V ‘O ciberespaço ou a virtualização da comunicação’ pág. 85 a 110

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