O Amor – Da Compreensão Única á Científica!

O Amor – Da Compreensão Única á Científica!

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Poderia começar esse texto de diferentes formas, mas ninguém melhor do que a poesia para tocar o que muitos chamam de intocável, incontrolável e  que é uma palavra que ninguém pode descrever: amor.

O Amor

O AMOR, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar, 
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…

Fernando Pessoa

Diversas são as teorias que podem explicar o que todos dizem que não conseguem. A seguir, algumas formas  de entender:

  • Escala de gostar e de amar de Rubin

Uma curiosidade sobre esse sentimento que muitos falam que se deve multiplicar o número de estrelas pela área do deserto para conseguir medir a intensidade do  amor. Podemos considerar outra  forma para ele ser medido de maneira menos complexa. Zic Rubin um psicólogo, criou um questionário para medir os elementos que caracterizam o gostar e o amor. Sua teoria media três fatores que, segundo ele, poderiam significar amor. São eles:

APEGO: ele identifica esse elemento como a pessoa que CUIDA da outra e tem certa necessidade física de ESTAR com ela e de ACEITÁ-LA.

CARINHO: o poder da empatia, desejando para o outro o que  deseja para si mesmo, focando as necessidades e a felicidade alheia.

INTIMIDADE: conversar sobre suas questões emocionais, suas ideias e suas vontades.

mensagenscomamor.com

Rubin estudou as relações entre amigos e companheiros. Em seu estudo, ele obteve como resultado que, nas relações com os bons amigos, a pontuação eram altas no gostar, sendo que obteve a classificação alta para amor quando foram avaliadas as relações com os companheiros e companheiras. Esse psicólogo entendia que nós diferenciamos o amar do gostar de alguém, através de como avaliamos esse alguém. Então percebemos que podemos amar ou gostar de diferentes formas e diferentes pessoas: amigos, companheiros a familiares, etc. A música ainda pode tentar falar sobre o amor que se sente:

PALAVRAS AO VENTO.

Ando por aí querendo te encontrar

Em cada esquina paro em cada olhar

Deixo à tristeza e trago a esperança em seu lugar

Que o nosso amor pra sempre viva

Minha dádiva

Quero poder jurar que essa paixão jamais será

Palavras apenas

Palavras pequenas…

Cássia Eller

  • Algumas formas de amar

Outra teoria sobre o amor é a da psicóloga Elaine Hatfield. Ela delimita  apenas duas formas de amar. sendo elas:

AMOR APAIXONADO: Esse tipo amor é aquele que encontramos muitas vezes em filmes e novelas e que vivemos intensamente na vida real, diz respeito á excitação e ao fogo, o aflorar das emoções e a grande vontade  de estar com o outro. Esse tipo de amor pode se transformar no amor compulsivo.

AMOR COMPULSIVO:  Esse amor é por sua vez mais duradouro e acompanha sentimentos de “apego, respeito, afeição e compromisso (KLEINMAN, 2015).

A psicóloga Hatfield também descreve que quando o amor é correspondido leva a sentimentos primordiais de euforia e realização. Quando isso não acontece, há perda de esperança e desespero. Ela ainda fala que existem alguns elementos fundamentais para que o amor aconteça :

MOMENTO CERTO: quando os envolvidos estão preparados para aproximação e deixam apaixonar-se.

SIMILARIDADE: o indivíduo tende a se apaixonar por pessoas com características semelhantes as suas.

ESTILOS DE APEGO DESDE O INÍCIO: esse amor é o que encontramos em relacionamentos mais longos, as pessoas que se envolvem nesse tipo de relacionamento são na maioria das vezes mais apegadas umas com as outras, tendo assim uma conexão entre os companheiros.

ALMA GÊMEA

Por você eu tenho feito, e faço tudo que puder

Pra que a vida seja, mais alegre

Do que era antes, tem algumas coisas

Que acontece, que é você, quem tem que resolver

Acho graça quando, ás vezes louca, você perde a pose

E diz: “foi sem querer”, quantas vezes, no seu canto em silêncio

Você busca o meu olhar, e me fala sem palavras, que me ama

 tudo bem, tá tudo certo

De repente você põe a mão por dentro

E arranca o mal pela raiz, você sabe como me fazer feliz

Carne e Unha, alma Gêmea

Bate coração

As metades da laranja

Dois amantes, dois irmãos

Duas forças que se atraem

Sonho lindo de viver

Estou morrendo de vontade

De você!

Quantas vezes no seu canto

Em silêncio você busca

O meu olhar

E me fala sem palavras

Que me ama, tudo bem

Tá tudo certo

De repente você põe

A mão por dentro

E arranca o mal pela raiz

Você sabe como me fazer feliz

Fábio Junior

Outras compreensões sobre esse tema vieram à tona, já que o assunto causa interesse. As reações desse sentimento do organismo acontecem da seguinte forma: quando vivemos a sensação do amor podemos identificar algumas substâncias químicas cerebrais; é um fenômeno neurobiológico que inclui desejo , confiança, prazer e recompensa.

mandiocafrita.wordpress.com

Quando as pessoas estão apaixonadas ouvimos dizer que “rolou uma química” e isso realmente acontece. Para a ciência o amor é divido em fases:

PRIMEIRA FASE: Acontece o que chamamos de atração nessa fase os hormônios sexuais que são despertados á partir da adolescência, sendo a testosterona nos homens e nas mulheres estrogênio, se manifestam.

SEGUNDA FASE: sentimos a paixão, os pensamentos se tornam recorrentes e fixados em uma determinada pessoa e passamos a nos comportar de maneira apaixonada, às vezes perdemos até o sono. Isso ocorre devido a outros elementos cerebrais chamados de neurotransmissores, sendo a noradrenalina  o hormônio que causa a sensação de aceleração do coração, e também aparece a serotonina que nos deixa centrados na pessoa amada. A dopamina é outro neurotransmissor que nos dá a boa sensação, a tão sonhada felicidade.

TERCEIRA FASE: Nessa fase já estamos com menos intensidade desses hormônios. É a fase de ligação, na qual são liberados hormônios  no ato sexual chamados de oxitocina (o hormônio do querer) e a vasopressina (promove certa fidelidade entre os parceiros).

AMOR MAIOR

Eu quero ficar só, mas comigo só eu não consigo
Eu quero ficar junto, mas sozinho só não é possível
É preciso amar direito, um amor de qualquer jeito
Ser amor a qualquer hora, ser amor de corpo inteiro
Amor de dentro pra fora, amor que desconheço
Eu quero ficar só, mas comigo só eu não consigo
Eu quero ficar junto, mas sozinho assim não é possível
É preciso amar direito, um amor de qualquer jeito
Ser amor a qualquer hora, ser amor de corpo inteiro
Amor de dentro pra fora, amor que eu desconheço
Então seguirei meu coração até o fim, pra saber se é amor
Magoarei mesmo assim, mesmo sem querer, pra saber se é amor
Mas estarei mais feliz mesmo morrendo de dor
Pra saber se é amor, se é amor
Quero um amor maior, um amor maior que eu

Jota Quest

Enfim, podemos citar um grande nome da psicologia, Skinner. Esse autor entende que os comportamentos do ser-humano são. de certa forma, modificados pelo ambiente. Os comportamentos então são mantidos através das boas relações que aquele ser-humano tem com o meio. Dessa maneira, as relações são mantidas através de reforços, e para ele a relação de amor também acontece dessa mesma maneira, ou seja, o que mantém alguém o amando são estímulos que o reforçam e, quando isso deixa de existir, a pessoa deixa de receber reforços, o amor acaba. Isso causa desconforto até quando  a pessoa consegue encontrar outros reforçadores, em outras relações.

De fato esse texto foi apenas um resumo de um sentimento tão grande. Podemos levar em consideração que o indivíduo é único e esse sentimento tem importância e intensidade diferentes de pessoa para pessoa e a história pessoal pode influenciar no significado do amor para cada um.

REFERÊNCIAS:

BARBOSA, Andressa Tripiana. O AMOR PODE SER APRENDIDO?.Saberes Unicampo, v. 1, n. 1, p. 212-216, 2014.

DA PAZ SANTOS, Éverton et al. A Bioquímica do amor: o que está por trás de um beijo?. XVI ENEQ/X EDUQUI-ISSN: 2179-5355, 2013.

KLEINMAN.Paul.  TUDO QUE VOCE PRECISA SABER A PSICOLOGIA: um livro prático sobre o estudo da mente humana. “Amor: ouvir seu coração”. 1ed.- São Paulo: Editora Gente ,P.134-138, 2015.

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Psicólogo, pós-graduando em psicologia comportamental e cognitiva pela Universidade de São Paulo- USP. Especialista em psicologia do esporte pelo CEPPE. Capacitação em Dependência Química pela UNIFESP-SUPERA. Redige trabalhos científicos. Experiência em saúde mental, estagiou em hospital psiquiátrico e no centro de atenção psicossocial CAPS1. Fundador da primeira Liga acadêmica de analise comportamental na Universidade de Mogi das Cruzes em que realizou a primeira jornada de análise do comportamento do alto tiête. Realizou monitoria durante a formação em analise experimental do comportamento. Realizou trabalho com o Taekwondo com crianças com as mais diversas deficiências. Atualmente realiza trabalho na enfermaria psiquiátrica infantil e desde de antes de sua formação atua clinicamente com crianças portadoras do espectro autista. Apaixonado por psicologia e esporte, sempre atento as novidades da ciência. Matérias que mais me atrai é analise do comportamento e cognitivo comportamental, porém, diferente do que todos normalmente fazem, amo estudar e aprender as outras abordagens e vasculhar novas áreas da psicologia. Sempre deixo a psicologia me levar para onde ela quer.