Adolescência & Sociedade: Influências na Escolha Profissional

Adolescência & Sociedade: Influências na Escolha Profissional

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Quando você era uma criança, provavelmente alguém (ou várias pessoas) te perguntava o que você seria quando crescesse. Professor(a), médico(a), astronauta, bombeiro, veterinário, piloto… Eram tantas escolhas, todas tão possíveis e até mesmo fáceis.

Mas então, chegou a adolescência… E em meio a tantas coisas difusas, conflitantes e difíceis, a sociedade (como um todo) começa a te cobrar uma decisão que determinará vários rumos de sua vida… A escolha profissional. E aí, um belo dia, você descobre que sua família, sua escola, seus amigos e seus interesses parecem (ou não) se interligar para que a tão esperada carreira seja escolhida.

E você, adolescente, onde está? Talvez, mergulhado num imenso mar de possibilidades. Num bombardeio de informações, cobranças, medos, ansiedades, críticas e sugestões. Sim, porque muitos querem opinar e te ajudar! E mais questões vão surgindo, alimentando a lista de influências na escolha profissional.

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Apesar de ser uma escolha individual e sobre a qual cada pessoa tem sua própria responsabilidade, nota-se que essa decisão possui impacto e implicações sociais. Como? Se você é um profissional inserido numa área de atuação na qual se identifica e se sente realizado, provavelmente irá realizar um trabalho promissor que vai contribuir com a sociedade.

Quando se fala em escolha profissional, devemos entender que ela é muito mais complexa do que podemos imaginar, pois está ligada à definição de expectativas profissionais, a definição de quem ser, deixando claro que não é somente uma escolha do que fazer.

A escolha profissional é multifatorial. Ela é influenciada por fatores políticos, econômicos, psicológicos, sociais, familiares e educacionais. Espera-se que a profissão escolhida pelo jovem lhe dê estabilidade financeira e reconhecimento pessoal. Toda profissão vem acompanhada por um status social, que em nossa sociedade serve como um diferenciador ao mesmo tempo em que identifica papeis sociais.

O mercado de trabalho parece na realidade um gigantesco monstro com várias cabeças. Têm-se aumentado áreas de atuação profissional e cursos preparatórios (técnicos e superiores); a todo instante a escolha profissional tem sido colocada como uma necessidade urgente.

Uma profissão traz consigo não apenas um título profissional. Escolher uma profissão também implica na escolha do ambiente de trabalho, rotina, tipo de trabalho, salário, possibilidade de crescimento, promoções, prestígio e várias outras coisas. Para essa escolha, um leque de informações precisa ser construído: área de atuação, mercado de trabalho, rotina, salário, formação, especialização, vida profissional.

As condições socioeconômicas interferem fortemente. Dentro do sistema capitalista, no qual estamos inseridos, questões como status e dinheiro são valorizadas. E acabam influenciando e induzindo os jovens em suas escolhas, já que muitas vezes a profissão escolhida é aquela que possui uma boa remuneração, mesmo que ela possa levar a uma insatisfação profissional.

Não podemos nos esquecer, também, da questão da “sexualização das profissões”. Os padrões culturais de nossa sociedade quanto aos papeis desempenhados por homens e mulheres contribuem para a formação de nossas crenças e repercute sobre os gostos, interesses, atitudes e inclinações pessoais. Assim, podemos ver essa distinção entre as profissões. Há quem diga que existem aquelas profissões mais femininas, ligadas ao cuidado e, geralmente, da área de humanas; e há também as ditas profissões mais masculinas, associadas com força, trabalho vigoroso e inteligência, geralmente sendo associadas com a área de exatas.

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Na vida de um adolescente, os amigos possuem um papel importante. Provavelmente, seus amigos também estão passando pelo mesmo processo e pelos mesmos dilemas de escolha. Muitos adolescentes consideram importante conversar sobre esse assunto com seus amigos, discutindo e trocando informações sobre profissões, cursos, universidades.

São conversas que contribuem com visões críticas, ao mesmo tempo em que amigos são capazes de dar apoio e suporte emocional uns aos outros.

A família é a primeira e mais significativa influência nessa trajetória. Os pais e outros familiares podem estar ligados diretamente a esta escolha ao oferecer apoio financeiro, formação educacional, aprovação ou reprovação de algumas escolhas, expectativas de resultados, conversas e apoio para exploração vocacional, cobranças, etc.

O posicionamento da família nesse momento poder flexível ou rígido, assim como pode ser facilitador ou manipulador. Alguns pais podem interferir diretamente na escolha profissional dos filhos quando indicam carreiras que os mesmos podem ou não seguir. Ou quando utilizam argumentos voltados para aspectos financeiros e emocionais, não levando em consideração a opinião e os interesses dos filhos.

É necessário, contudo que nessa fase a família contribua com um suporte e apoio adequado para que o adolescente possa chegar a uma decisão assertiva.

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Após ter crescido um pouco (ou bastante também), o que aconteceu com seu sonho de infância? Você ainda quer ser um astronauta? Ou talvez planeje se tornar dentista? Será que alguém disse que você nasceu para ser advogado? Ou quem sabe apenas se apaixonou pela psicologia?

Cabe, enfim, algumas questões importantes para reflexão: a sociedade tem sido capaz de preparar o adolescente para tomar esta decisão? A família, a sociedade e a escola estão proporcionando a chance de crianças e adolescentes fazerem escolhas que possibilitem que eles saibam lidar futuramente com tomada de decisão?

Enquanto todos esperam pela escolha certa e o adolescente busca encontrar a sua escolha, não deveríamos nos ater a considerar que o futuro de uma pessoa dependa apenas (exclusiva ou principalmente) de sua decisão quanto a uma profissão. Temos que levar em consideração que quanto mais o adolescente conhece a si mesmo e o contexto profissional de suas opções, maior a probabilidades de uma boa e satisfatória escolha.

E lembre-se, não pense que a escolha profissional não possa ser alterada a qualquer momento de sua vida!

Referências

MOGNHON, Patricia Maria Frank; MOGNHON, Élvis; MÜLBHEIER, Andréia. O desafio da escolha profissional e a importância da psico-orientação. XIX Jornada de Pesquisa, Unijuí. Ijuí. 2014.

OLIVEIRA, Natalia de Quadros; PESSOA, Roberto Calmon. A importância da orientação profissional para o direcionamento de carreira na adolescência. Psicologia.pt. 2013.

PEREIRA, Fábio Nogueira; GARCIA, Agnaldo. Amizade e escolha profissional: influência ou cooperação?. Rev. bras. orientac. prof,  São Paulo ,  v. 8, n. 1, p. 71-86, jun.  2007.

STANK, Sandro; ROTH, Shaize Maldonado; MONTEIRO, Suelen; MAFFEI, Alexsandra Machado. Influências familiares na escolha profissional. II Congresso de Pesquisa e Extensão da FSG: Caxias do Sul. 2014.

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