O A,B,C da Psicologia Escolar

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O que tem na escola? Há professores, funcionários, alunos, diretores e entre outros. Mas por incrível que pareça tem Psicólogo também, neste contexto o papel do psicólogo tornou-se essencial, pois muitas crianças após a inserção do período integral passam mais tempo na escola do que em suas próprias casas. E como percebeu-se a importância da atuação deste profissional nesta área? A historia da inserção do psicólogo e a aquisição desta área na psicologia.

A partir da emergência da Psicologia enquanto área de conhecimento, pesquisa, produção de conhecimento e prática profissional, sua articulação com a Educação passou a se configurar como um dos campos de atuação dos psicólogos, apesar de pouco escolhida pelos profissionais, os quais se detiveram, historicamente, mais ao psicodiagnóstico e à avaliação psicológica (CRUCES, 2003).

Considerando este aspecto, portanto a inserção da psicologia nas escolas foi marcada pela necessidade de corrigir e adaptar, o contexto escolar, aluno portador de dificuldades de aprendizagem e escola no geral (Correia; Campos, 2004; Tanamachi, 2000). 

De acordo com Oliveira e Araújo (2009) neste contexto adaptacionista que surgiu a figura do psicólogo no ambiente escolar. Resgatando a escola para resolver os problemas que emergiram neste espaço de formação. Um levantamento histórico acerca da atuação do psicólogo escolar constata que:

Psicologia, enquanto instrumento aplicado às práticas educacionais se origina justamente no final do século XIX, com o empenho de educadores e cientistas do comportamento em classificarem crianças com dificuldades escolares e proporem às mesmas métodos especiais de educação, a fim de ajustá-las aos padrões de normalidade definidos pela sociedade. (YAZLLE, 1997, p. 15).

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Por tanto o psicólogo no contexto escolar emergiu devido as dificuldades de aprendizado do aluno que urgem neste ambiente. E onde os profissionais que atuam na área viram esgotados os seus recursos com estes alunos, logo o psicólogo entra para auxiliar os ditos como “alunos problemas” neste espaço de desenvolvimento do saber. Destaca-se essa dificuldade dos profissionais em atuar frente as queixas escolares anteriores a inserção do psicólogo, com as classes de alunos especiais por exemplo.

No entanto no primeiro momento, a aplicação desse modelo médico de intervenção na escola conduziu à patologização e psicologização do espaço escolar por atribuir ao próprio aluno a culpa por suas dificuldades de aprendizagem e por isentar outras instâncias das suas responsabilidades educativas (CAMPOS; JUCÁ, 2003; NEVES, 2001; NEVES; ALMEIDA, 2003; YAZLLE, 1997).

De acordo com Araujo (2003) houve uma revisão critica acerca da atuação e formação deste profissional, onde o psicólogo procura não mais descontextualizar este individuo, evitando a negação do contexto histórico, evitando a “psicologização” do cenário educacional.

As mudanças vêm ocorrendo de forma que se encontram, cada vez mais, relatos de experiências de psicólogos que se preocupam em não culpabilizar o aluno pelas dificuldades que enfrenta e tentam conscientizar os demais profissionais de que a problemática do aluno está inserida em uma gama maior de determinantes que não apenas os individuais, os familiares ou os psico-afetivos (CRUCES, 2003; NEVES; ALMEIDA, 2003; NEVES; MACHADO, 2005).

Houve e vem havendo ao longo da atuação deste profissional uma nova percepção do contexto escolar, onde o psicólogo passou a considerar todos os aspectos do aluno, seu ambiente familiar e escolar. E passou-se a potencializar suas habilidades e não apenas suas dificuldades, buscando alternativas para que este aluno passe a absorver o conteúdo.

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Psicologia Escolar é entendida como um campo de atuação profissional do psicólogo e, também, de produção científica, caracterizado pela inserção da Psicologia no contexto escolar, sendo que o objetivo principal deste campo é mediar os processos de desenvolvimento humano e de aprendizagem, contribuindo para sua promoção (MITJÁNS MARTINEZ, 2003).

Logo trata-se de um campo de atuação profissional do psicólogo (e eventualmente de produção científica) caracterizado pela utilização da Psicologia no contexto escolar, com o objetivo de contribuir para otimizar o processo educativo, entendido este como complexo processo de transmissão cultural e de espaço de desenvolvimento da subjetividade (MITJÁNS MARTINEZ, 2003).

Dessa forma, apontasse que a especificidade do que se denomina Psicologia Escolar está dada, hoje, pela conjunção de dois elementos: por seu objetivo de contribuir para a promoção do processo educativo e pelo espaço de sua atuação, qual seja o das instituições do sistema escolar, sendo que essas delimitam um espaço que não se reduz à escola, apesar deste ser o espaço fundamental de atuação profissional (Oliveira e Araújo, 2009).

A identidade do psicólogo escolar constitui-se “a partir da imersão na escola, enquanto espaço institucional de efetivação concreta da condição humana dos sujeitos participantes e enquanto locus privilegiado para a ocorrência do processo de canalização cultural” (ARAÚJO, 2003, p. 13).

O papel do psicólogo escolar não se restringe apenas ao ambiente em escolar, ele se expandi também como um produtor de conhecimento cientifico nesta área, que vise melhorar as praticas nesta área. Trabalhando as queixas escolares e sempre incentivando métodos e instrumentos que contribuem para o desenvolvimento do aluno no ambiente escolar. Evidencia-se, portanto a importância da atuação do psicólogo escolar, para conciliar os protagonistas deste ambiente, facilitar o desenvolvimento da formação dos alunos e garantir qualidade de vida na escola.

REFERÊNCIA

ARAÚJO, C. M. M.; ALMEIDA, S. F. C. de. Psicologia Escolar Institucional: desenvolvendo competências para uma atuação relacional. In: ALMEIDA, S. F. C. de (Org.). Psicologia Escolar: Ética e competências na formação e atuação profissional. Campinas: Editora Alínea, 2003. p. 59-82.

ARAÚJO, C. M. M. Psicologia Escolar e o Desenvolvimento de Competências: uma opção para a capacitação continuada. 2003. 395 f. Tese (Doutorado em Psicologia). Instituto de Psicologia, Universidade de Brasília, Brasília.

CAMPOS, H. R.; JUCÁ, M. R. B. L. O psicólogo na escola: avaliação da formação à luz das demandas do mercado. In: ALMEIDA, S. F. C. de (Org). Psicologia Escolar: ética e competências na formação e atuação profissional. Campinas: Editora Alínea, 2003. p. 37-56.

CORREIA, M.; CAMPOS, H. R. Psicologia Escolar: histórias, tendências e possibilidades. In: YAMAMOTO, O. H.; NETO, A. C. (Orgs.). O psicólogo e a escola: uma introdução ao estudo da psicologia escolar. Natal: EDUFRN, 2004. p. 137-185.

CRUCES, A. V. V. Psicologia e Educação: nossa história e nossa realidade. In: ALMEIDA, S. F. C. de (Org.). Psicologia Escolar: ética e competências na formação e atuação profissional. Campinas: Editora Alínea, 2003. p. 17-36.

MITJÁNS MARTÍNEZ, A. O psicólogo na construção da proposta pedagógica da escola: áreas de atuação e desafios para a formação. In: ALMEIDA, S. F. C. de (Org.). Psicologia Escolar: ética e competências na formação e atuação profissional. Campinas: Editora Alínea, 2003. p. 105-124.

OLIVEIRA, C.B.E; ARAUJO, C.M.M. Psicologia escolar: cenários atuais. Estud. pesqui. psicol. v.9 n.3 Rio de Janeiro dez. 2009

YAZLLE, E. G. Atuação do psicólogo escolar: alguns dados históricos. In: CUNHA, B. B. B., YAZLLE, E. G., SALOTTI, M. R. R.; SOUZA, M. De (Orgs.). Psicologia na Escola: um pouco de história e algumas histórias. São Paulo: Arte ; Ciência, 1997. p. 11-38.

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