E Agora Pai? E Agora Mãe? A Influência da Mídia na Sexualidade...

E Agora Pai? E Agora Mãe? A Influência da Mídia na Sexualidade Infantil

1912
Compartilhe
Children watching TV

Atualmente evidencia-se em nosso cotidiano, tanto no ambiente escolar quanto nas ruas e nas nossas próprias casas, a nova identidade infantil.

Essa nova identidade infantil representa-se por comportamentos como os de meninas de cinco anos de idade utilizando maquiagem, meninos de sete anos com três namoradas, os mesmos usando roupas idênticas às dos seus pais, com um diálogo e características físicas iguais às dos adultos. E esses fenômenos são comumente vistos como comportamentos admiráveis e reforçados pelos pais e familiares.

Esses aspectos são indícios para comportamentos futuros como a gravidez de meninas entre 9-10 anos de idade que foram constatados no Brasil. No estado de São Paulo, entre 1970 e 1980 a proporção de mães de 15 anos aumentou 300% e as de 16 anos 126%. No hospital universitário da UNICAMP, houve uma redução na frequência de partos entre adolescentes com 19 anos ou menos no período de 1977 a 1990. Porém houve um aumento de 12.2% de partos entre gestantes de 16 anos ou menos. Esses dados apontam um possível “rejuvenescimento” na idade de parturição na adolescência (MOTTA; SILVA, 1994).

Esse nova identidade infantil, vem sendo influenciada desde o inicio das civilizações, influenciada frequentemente pelo comportamento adulto e nas primeiras comunidades as crianças eram vistas como “mini adultos”.

No Séc. XVII no contexto social, no coração de cada lar um único lugar de sexualidade reconhecido, mais utilitário e fecundo era o quarto dos pais. Segundo o mesmo, na época a criança não tinha sexo, boa razão para ser interditada, razão para proibi-las de falarem dele, para fechar-lhes os olhos e tapar os ouvidos onde quer que venha a ser manifestado. A repressão era a condenação ao desaparecimento, marcando a hipocrisia da sociedade burguesa da época, lembrando também a influência da evolução da Pastoral Católica e do sacramento da confissão, que ascende na Idade Média (FOUCAULT, 1999).

conselhotutelar.wordpress.com/tag/infancia/

De acordo com Papalia (2010) a divisão em fase de desenvolvimento é apenas uma construção social, que varia de acordo com períodos, visões subjetivas ou suposições partilhadas pelo grupo social. A partir desse momento o próprio conceito de infância é visto como uma construção social. Não há exatamente um período ou idade exata ao qual uma criança se torne adulta ou um jovem se torne um idoso, um exemplo disto, é que em períodos antigos pesquisas revelaram que crianças eram vistas e tratas como adultos.

O estabelecimento da “maturidade infantil”, as predisposições dos limites de idades que enfatiza e limita ate quando somos crianças e quando passamos a ser adultos é social. A sociedade que determina quando passamos e quando nossos filhos estarão maduros para ser considerados adultos. Portanto não considera-se os aspectos subjetivos e indiretamente expõem-se as crianças a conteúdos variados do mundo adulto, impõem-se/oferta-se a “maturidade adulta” antecipadamente, sem haver questionamentos se estas crianças estão preparadas para entrar neste mundo e receberem estas informações.

Atualmente em vários estudos percebe-se que a sexualidade infantil é vista como a sexualidade adulta, como se a criança tivesse o conhecimento do seu ato, como o desejo pelo outro, não sendo analisado como parte de uma reação orgânica, corporal. As manifestações da sexualidade infantil ficam restritas a perguntas que os pequenos fazem sobre sua concepção, de onde saem os bebês, para os que têm irmãos menores e as diferenças entre meninos e meninas, sendo que qualquer manifestação ligada ao contato da criança com seu próprio corpo é logo reprimido ou ignorado. Os pais/mães preferem o silêncio a falar sobre o assunto, seja com outro adulto ou com a criança. A maioria se sente despreparada para perguntas que estejam relacionadas ao seu corpo e o desenvolvimento deles. (ADVINCULA, 2009).

Estes comportamentos devem ser observados e abordados pelos pais, uma vez que é esperado/frequente a curiosidade das crianças referente a questões sexuais, estes assuntos devem ser abordados pelos pais com naturalidade, limitando-se a responder os questionamentos dos filhos de maneira objetivo, limitando a fornecer informações que a criança esteja preparada para receber. Porem destaca-se a importância de que esses assuntos sejam tratados pelos pais, pois a criança criara a partir das repostas seus próprios conceitos, enfatizando que atualmente esta exposta a estas questões abertamente através das relações na escola, família e aos conteúdos midiáticos (TV, internet, celular e entre outros).

Inúmeras pesquisas apontam que as mídias são as principais influencias na sexualidade precoce devido ao fato de que a televisão transmite mensagens sexuais, e bombardeiam as crianças a toda hora seja com imagens ou mensagens subliminares.

familiacatolica.com/site/o-dever-dos-pais-e-educar-as-crianças-para-uma-sexualidade-sadia

Os apologistas da TV afirmam que ela democratizou as informações e o lazer, uniu os indivíduos independentemente das visões sociais, enfim, instaurou uma nova infância que se alimenta basicamente da diversão digitalizada, não evidenciando a participação no processo de circulação de informações e lazer, nem tão pouca uma experiência coletiva. São inegáveis os fortes estímulos da TV ao consumismo, à padronização de comportamentos e à agressividade. A curiosidade é comum na infância, quando as crianças pesquisam o mundo que as rodeia desde a mais tenra idade; entretanto, diante da TV, elas podem se tornar apáticas. Ontem, como hoje, a sexualidade é um ingrediente excitante de sua programação, como também a violência (ROCHEL, 2008).

Em outro estudo para auxiliar os pais sobre o que permitir e não permitir os filhos verem na mídia, Barreto (2006) afirma que o apelo sexual que a mídia trás consigo desperta a curiosidade precoce das crianças sobre o assunto, fazendo com que essa sexualidade seja entendida pelo lado do erótico, sensual e excitante, não levando em consideração a construção das emoções, das relações sociais e do desenvolvimento da afetividade.

O processo de formação e constituição de uma identidade é muito influenciado pelos meios de comunicação de massa, com destaque para a TV, que “orienta”, por intermédio de outros jovens na tela, como se vestir ou se comportar perante as diversas situações sociais. Porém, esses modelos, principalmente no que diz respeito ao sexo, nem sempre correspondem à realidade (BECKER, 1986).

Enfatiza-se por tanto a importância da participação dos pais na educação dos filhos, os pais devem acompanhar os conteúdos que seus filhos têm acesso, as informações e aos relacionamentos. Os pais possuem grande influencia no desenvolvimento e educação dos filhos, a família trata-se da base para a formação de adultos “saudáveis”. Independente da composição familiar os filhos serão a repercussão das figuras patriarcais, ressaltando novamente a importância de serem abordadas questões como sexualidade e entre outros abertamente. “Melhor que seus filhos escutem de você do que tirem conclusões a partir de opiniões, perspectivas, conteúdos midiáticos e entre outros”.

Referencias

ADVÍNCULA, C. C. B. – Representação da Sexualidade Infantil: Uma Analise Comparativa entre as famílias das crianças de duas escolas de educação infantil. Universidade Federal da Paraíba-UFPB, 2009.

BARRETO, L. Sexualidade Infantil, mídia e família, 2006. Acessado em 02 de Novembro de 2015 ás 11h40min.

Link de acesso: http://www.revistasaudeinterativa.com.br/artigos/ed57/04_Sex%20infantil%20m%C3%ADdia%20e%20fam%C3%ADlia.pdf

BECKER, Daniel. O que é adolescência. São Paulo: Nova Cultura Brasiliense (Coleção Primeiros Passos), 1986.

FOUCAULT, M. História da Sexualidade I – A vontade de saber – 13ª Edição, Editora Graal – R.J, 1999. (pág. 9-18)

MOTTA, M. L.; SILVA, J. L. P. Gravidez entre adolescentes muito jovens. Femina, v. 22, n. 5, p. 348-54, maio 1994.

ROCHEL, L. – A criança e a TV, 2008. Acessado 02 de Novembro de 2015 ás 12h00 min. Link de acesso: http://psicologiaeeducacao.wordpress.com/2008/11/25/a-crianca-e-a-tv/

PAPALIA, D.E; OLDS, S.W; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento Humano – 10. Ed. Porto Alegre: AMGH, 2010.

Views All Time
Views All Time
1877
Views Today
Views Today
1

Comentários

comments

Compartilhe
AnteriorEu Não Sou Todo Mundo
PróximoUso de Jogos Eletrônicos na Clínica Infantil
Estudante de Psicologia da Universidade de Mogi das Cruzes, cursando o último ano, apaixonada por Psicologia, por suas especificações e abrangências. Entre as áreas as quais possuo maior interesse destacam-se a Escolar e a Hospitalar. E como experiência profissional atuei na área Organizacional, nesta descobri meu interesse pela correção e aplicação de Testes Psicológicos.